De 1962 a 1983, a secretaria de Segurança Pública do Paraná teve como titulares nada menos do que oito militares oriundos do Exército brasileiro, um seguida do outro, sem intervalo para civis ou oficiais da Polícia Militar ou delegados da Polícia Civil. O período coincide como o regime militar instaurado no país em 1964 e somente quebrado a partir de 1983 quando, após a primeira eleição direta para governador do estado (José Richa), foi nomeado para o cargo um civil (advogado Luiz Filipe Haj Mussi).
Foi somente em 2019, com a posse do governador Ratinho Jr., que a SESP voltou para as mãos de um oficial verde-oliva – o general Luiz Felipe Carbonell, que acaba de deixar o cargo para ser substituído por um coronel também egresso da ativa do Exército, Rômulo Marinho Soares. Para outros postos chave da pasta também estão sendo designados oficiais da Força, como é o caso do diretor-geral, coronel Pedro Stonoga.
É o retorno ao passado que vem incomodando as associações que representam o oficialato da Polícia Militar. Embora a corporação seja a maior e mais importante estrutura da segurança pública do estado e disponha de profissionais com grande especialização na área, ela está se sentido alijada não apenas quanto à ocupação de cargos quanto também em definições de políticas e projetos para o setor. Ao contrário, tais incumbências estão sendo transferidas a inativos do Exército que, a despeito dos bons serviços que tenham prestado, não têm a mesma familiaridade com assuntos afetos à segurança pública.
Chegam ao Contraponto informações de que associações de policiais militares devem externar esta semana ao governador Ratinho Jr. suas preocupações quanto aos efeitos de suas escolhas. E nada mais dizem nem antecipam de que modo pretendem agir.
A galeria dos secretários oficiais do Exército:

