Como no Velho Oeste retratado em épicos filmes de Holywood, está virando moda entre deputados (geralmente filiados ao PSL, partido do presidente Jair Bolsonaro) oferecer recompensas pecuniárias a alcaguetes e dedo-duros que se habilitem a dar nomes, fornecer pistas e informações ou até mesmo matar suspeitos. Em dois dias e a 2 mil quilômetros de distância um do outro, dois parlamentares (um estadual e um federal) se mostraram dispostos esta semana a remasterizar as séries que assistiam na sessão da tarde – uma espécie de faroeste pós-moderno.

No Espírito Santo, o deputado estadual Capitão Assumção (PSL) discursou na Assembleia Legislativa para oferecer R$ 10 mil para quem matar um suspeito de assassinar uma jovem no município de Cariacica, interior do estado.

Da tribuna, ele bradou: “Quero ver quem vai correr atrás para matar esse vagabundo. R$ 10 mil daqui do meu bolso para mandar matar esse vagabundo. Eu tiro do meu bolso quem matar esse vagabundo. Não vale localizar o cara, tem que trazer o cara morto, aí eu pago”, afirmou.

Segundo ele, a recompensa ofertada foi de R$ 10 mil porque ele não “tinha mais” para oferecer. O deputado faz parte da corrente cada vez mais numerosa – porque incentivada pelo andar de cima – que prega a tese de que “bandido bom é bandido morto”.

O assassinato a que o parlamentar capixaba se referiu teve como vítima a jovem Maiara de Oliveira Freitas (26) e aconteceu nesta quarta-feira (11). Ela foi morta a tiros, na frente da filha, por dois homens encapuzados que invadiram sua residência e fugiram em seguida. A suspeita é que o crime tenha sido praticado por vingança.

Em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, o deputado federal Loester Trutis (também do PSL) postou em sua página do Facebook um vídeo em que promete recompensa de R$ 100 mil a quem fornecer informações sobre Adélio Bispo – autor da facada no então candidato Bolsonaro.

Em sociedade com um empresário local, o deputado se dispõe a dar o dinheiro para quem fornecer pistas e informações que resultem na prisão e condenação do mandante e sobre quem paga o advogado de Adélio. Promete também colocar o delator em contato com a Polícia Federal e a incluí-lo no programa de proteção a testemunhas.