O Tribunal de Contas da União (TCU) julga nos próximos dias parecer técnico que pede a inabilitação do deputado federal Ricardo Barros (PP-PR) para ocupar cargos em comissão e funções de confiança na administração pública federal por um período de até oito anos. O motivo vem da época em que ele foi ministro da Saúde no governo Michel Temer.
Segundo o parecer do TCU, obtido com exclusividade pela revista Veja, o parlamentar paranaense teria atuado para trazer uma fábrica de hemoderivados que estava em construção do Nordeste para Maringá, sua base eleitoral no Paraná, sem “qualquer justificativa plausível”. Para isso, Barros teria suspendido uma parceria entre a estatal Hemobrás e laboratórios privados para produção dos insumos.
Barros, segundo a publicação, pretendia fechar uma parceria com o Tecpar, estatal do governo do Paraná, para que os insumos fossem produzidos em Maringá. Para a equipe técnica do TCU, o ex-ministro teria desconsiderado potenciais prejuízos financeiros com o rompimento da associação entre a estatal e os laboratórios privados.
“Puro ativismo”
Em nota, o ex-ministro Ricardo Barros afirma que “não há fundamento técnico nas sugestões apresentadas pela unidade técnica do TCU”. “É puro ativismo”, acusa.
Segundo ele, não existe qualquer conflito entre as tecnologias analisadas durante sua gestão na pasta da Saúde. “A Hemobrás mantinha contrato com a LFB para o fracionamento de plasma humano e trabalhava com fator VIII recombinante de origem biológica (animal). Já o Tecpar apresentou proposta referente ao fator VIII recombinante de origem humana, com inativação viral, tecnologia distinta e complementar”, explicou.
Barros lembra que a “assinatura do termo de cooperação tecnológica envolvendo o Tecpar contou com a presença do presidente Michel Temer na Hemobrás, “reforçando a legitimidade institucional das tratativas”.
Segundo ele, durante sua gestão, o Ministério da Saúde “transferiu mais de R$ 200 milhões à Hemobrás, para garantir investimentos necessários”. (Da Ric).
