Poder: a formalidade já era

(por Ruth Bolognese) – Preparem as bermudas, as camisetas, as havaianas e os palitos de dente, senhores! A nova onda do poder é informalidade total, beirando o esculacho. A diplomação do governador eleito, Ratinho Jr, cujo apelido consagrado nas ruas, por si só, já é um convite ao rala e rola da descontração, mostrou que os tempos do terno e gravata das Excelências e o tom comedido de voz e da linguagem evaporam mais rápido do que a névoa das manhãs curitibanas.

Um novo tempo chega com a força de um Sargento “Meto Bala” Fahur, PSD, o deputado federal de Londrina mais votado nas últimas eleições. Gritar que vai matar corruptos quando recebia o honroso diploma de deputado é apenas a manifestação visível do que pode vir por aí. E não é que o sargento foi aplaudido?

Quem se impressionou com a era Lula e os petistas forjados nos bailecos de piso de chão, quem não gostou, de jeito nenhum, de viajar ao lado da classe C nos aviões ou conviver com o pessoal das cotas nas universidades, vai ter que engolir o deputado chamado Boca Aberta Jr, PRTB, uma incógnita social da melhor espécie. Com um nome de nobre inglês, Matheus Viniccius Ribeiro Petriv, 23 anos, grau de instrução superior incompleto, tem como profissão declarada ao perfil da Justiça Eleitoral algo que vai do Vendedor Pracista, Representante, Caixeiro-viajante até os Assemelhados.

Quem tem coragem de perguntar o que seria “Assemelhados” na biografia da Excelência? Eu não, Capitão. Na cerimônia da diplomação, o Boca Aberta Jr vestiu a camisa do time do coração e se ajoelhou no palco do teatro Positivo.

A política, assim como o futebol, demanda os Tiriricas da vida. Sem isso, seria uma chatice de eventos sonolentos e discursos insuportáveis. Na era de Jair Bolsonaro divulgando nomes de ministros pelo twitter e pré governando com filhos e militares, há que se pensar num novo mundo político. Como disse o governador já diplomado do Paraná, Ratinho Jr, o Paraná vive um dos melhores momentos de sua história.

Pena que faltou ao caloroso evento da Diplomação dos eleitos o Ratinho Pai e um dos seus mantras favoritos na TV de um passado bem recente: “agora, é tchaca, tchaca na butchaca”!

3 COMENTÁRIOS

  1. Essa decadência da boa educação, da gentileza, da ordem não é fenômeno exclusivo da Terra Brasilis. Em várias partes do mundo isso vem acontecendo. Triste verificar que o filme Idiocracia, de 2006, apontava um caminho que aos poucos vai se confirmando. Vale a lei do menor esforço, a falta de modos, a grosseria.

    A pessoa pode querer combater corruptos, pode estar grata por ter alcançado êxito nas eleições, pode ter vencido na vida sendo eleito governador saindo de camadas humildes da população, pois há méritos que fizeram com que essas pessoas fossem eleitas. Mesmo assim, alguns hábitos tradicionais coroariam com muito mais glória e merecimento se fossem respeitados e buscados.

    Pode soar conversa de gente velha, mas que vergonha dá o atual comportamento dos seres humanos em geral.

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