(por Ruth Bolognese) – O advogado Eduardo Carnelós, que defende Michel Temer, classificou de “vazamento criminoso” a divulgação, pela Folha de São Paulo, dos vídeos da delação premiada do operador Lúcio Funaro, principal personagem da corrupção que envolve o PMDB.
Carnelós chamou a atenção para o fato de os vídeos serem divulgados às vésperas da votação da segunda denúncia contra Temer na Comissão de Constituição e Justiça a Câmara, que acontece na quarta-feira.
A Folha de São Paulo informa que recebeu os vídeos de fontes oficiais e não de vazamentos. E, vamos e venhamos, cumpriu a regra mais básica do jornalismo: informação existe para ser divulgada. E pronto.
E se o tal Carnelós não se lembra, vamos retroceder um pouquinho no tempo: o juiz mais admirado e louvado do Brasil, Sérgio Moro, divulgou a gravação entre a então presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula, quando tratavam da nomeação dele como ministro-chefe da Casa Civil. Foi às vésperas do impeachment,
A presidente da República nem era investigada, mas a divulgação impediu a nomeação de Lula e consolidou o impeachment.
Vem agora o advogado de Michel Temer, o mais beneficiado por aquele “vazamento”, falar no perigo de “grave crise política” causado pela Folha de São Paulo. Melhor seria para seu próprio cliente se, ao invés de ficar pregando a censura contra vazamentos ou similares, fosse estudar uma forma de salvar o que resta do mandato de Michel Temer.
O que doeu: o operador Lúcio Funaro disse ter certeza que uma boa parte do dinheiro de propina que deu ao ex-presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha foi parar nas mãos de Temer.
