O casamento entre o Público e o Privado

(por Ruth Bolognese) –

 

Saí há três meses da assessoria direta da vice-governadora Cida Borghetti, depois de quase dois anos de trabalho. Como sempre fiz enquanto estive lá, coloco  abertamente minha opinião sobre os fatos envolvendo o casamento da deputada Maria Victória . O futuro trará os desdobramentos e as consequências das imagens lamentáveis do evento que já inundam a Internet.

A família Barros, capitaneada pelo ministro Ricardo Barros, se fortaleceu politicamente na cidade mais abastada do Paraná, onde o número de Hilux, Ford Rangers e afins supera infinitamente o de  ônibus e carros populares. Em Maringá, há uma confortável ideologia da riqueza expansionista dos grandes produtores do agronegócio norte-americano e ninguém tem medo de ser feliz e nem de pagar o metro quadrado mais caro do País para morar num condomínio de padrão do seriado ‘’Housewives”. Do ponto de vista sociológico, uma verdadeira “Cidade Camarote”, onde quem tem, vive bem.

Nessa seara, os Barros estiveram integrados de corpo e alma. Todos os anos o aniversário do ministro é comemorado em espaço para mais de mil pessoas, entre prefeitos, vereadores e correligionários e esposas em traje social, que saboreiam uma Paella a base de frutos do mar trazidos especialmente dos melhores pesqueiros de Santa Catarina.

É preciso entender que esse ritual faz parte do contexto de Maringá: o tamanho do camarão servido é assunto para a semana, muito mais do que o discurso do aniversariante. Na essência, todos os presentes saboreiam o jantar antecipando o próprio futuro, numa espécie de distribuição de riqueza e poder dos Barros, “factíveis” de ser alcançados pela galera que aplaude e vota.

Foi exatamente esse contexto que o chefe do clã, Ricardo Barros, mais esperto do que uma raposa na maturidade, quis trazer para Curitiba. Festejou o primeiro aniversário da deputada recém-eleita em Curitiba com uma festa para mais de mil pessoas exatamente no Palácio Garibaldi, onde ela se casou ontem. Passou meio batido porque a família estava chegando à Capital.

O casamento entre o Público e o Privado

Dois anos depois, o deputado federal do PP tornou-se ministro da Saúde, a filha candidatou-se, aos 23 anos, à prefeita de Curitiba, a mãe consolida-se como candidata ao Governo do Paraná e a vida segue. E se os Barros saíram de Maringá, Maringá jamais saiu da alma dos Barros: é preciso, sempre, dar sinais exteriores de riqueza para consolidar o poder político. Tão lógico, do ponto de vista familiar, como reduzir o Bolsa Família ou criar um plano de saúde para os mais pobres conseguirem pagar.

A deputada Maria Victória poderia ter se casado nos melhores e mais badalados clubes e centros de eventos chiquérrimos de Curitiba, convidado muito mais gente e tudo bem. Mas aí o assunto iria ficar restrito aos espaços de sempre. Escolher um local público, esconder a fachada com um “puxadão” de vidro e ferro,  lista de presentes onde um açucareiro sai por R$400,00,  tudo planejado para causar.  E de quebra, ser tema de análises e notícias no meio político e econômico, esse era o objetivo. Tipo assim: público e privado, ministro, vice-governadora, deputada e noivo, tudo junto e misturado.

E a Família Barros conseguiu.

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8 COMENTÁRIOS

  1. Adorei o texto
    Os que estão chamando o texto de ridículos, das duas uma: ou são idiotas trouxas do tipo que votou no Aécio “pra acabar com a corrupção” ou fazem parte da turma da família Barros. Ou seja: são CANALHAS!
    Ou então é aquela turma classe média que acha que é da elite.
    Bando de otários!

  2. TEXTO RIDÍCULO E MENTIROSO COMO A ASSINANTE. COMO MARINGAENSE QUE AQUI NASCEU, FILHA DE FUNDADORES QUE AQUI VIERAM HÁ QUASE 80 ANOS,REPUDIO ESSA IRRESPONSÁVEL!

  3. Maringá e os Barros não estão ligados por simbiose, exceto por um pequeno grupo q tira proveito desta relação. Não crie identidade onde ela não existe, tampouco, alinhe todos nós à mesma condição.

  4. Sou um amante da democracia, porém houve falta de respeito ao jogar ovos e até garrafas. Afinal, a democracia não nos remete ao respeito pelo próximo. Respeito pela vida. A manifestação perdeu sua razão. obrigado

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