Novo presidente da Funai falhou em psicotécnico, investigou desafeto e atacou procurador

O novo presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Augusto Xavier da Silva, delegado da Polícia Federal, teve uma vida atribulada na PF: falhou em exame psicotécnico, investigou desafeto e atacou procurador do Ministério Público Federal. As informações são da BBC News Brasil, que fez amplo levantamento jornalístico sobre a trajetória do dirigente da Funai empossado na última quarta-feira (24).

Próximo da bancada ruralista no Congresso Nacional, Xavier da Silva já foi ouvidor do órgão e  trabalhou como assessor do ministro Carlos Marun, no governo de Michel Temer, para assuntos ligados à questão agrária. Em 2016, atuou também na CPI da Funai e do Incra a convite de deputados da bancada ruralista – o relatório final da CPI pediu o indiciamento de antropólogos, indígenas, servidores públicos da Funai e de integrantes de ONGs.

Reprovação no psicotécnico e punições disciplinares – Segundo a BBC News, antes de trabalhar em Brasília, Marcelo Augusto Xavier teve uma vida atribulada na Polícia Federal.Ele foi alvo de duas investigações internas da corporação – chamadas, no jargão do serviço público, de PADs (Processo Administrativo Disciplinar). Uma delas foi por ter aberto uma investigação contra o ex-marido de sua mulher. A outra, por supostamente ter desacatado um procurador do Ministério Público Federal (MPF). Além disso, Xavier foi reprovado em uma avaliação psicológica para o cargo de delegado – embora tenha passado em outra. Todas as informações constantes desta reportagem foram extraídas de documentos públicos.

Xavier foi aprovado em dois concursos para o cargo de delegado de Polícia Federal no ano de 2004: um de âmbito regional, e outro de concorrência nacional. Em um deles, Xavier foi considerado “não recomendado” para o cargo de delegado – embora tenha sido aprovado na avaliação psicológica do outro concurso. As duas avaliações deveriam, em tese, ter o mesmo conteúdo.

No concurso de Xavier da Silva, 260 pessoas foram aprovadas na avaliação médica no Estado de Mato Grosso. Dessas, 237 passaram no teste psicológico. Só 23 foram consideradas não aptas. Depois de recorrer à Justiça, Xavier tomou posse no cargo de delegado da PF em janeiro de 2008.

Pouco depois veio a primeira investigação interna (PAD) contra ele. O PAD é o instrumento usado na administração pública para investigar e eventualmente punir os servidores.

Xavier instaurou uma investigação contra um homem chamado Adalto Amaral do Carmo. Adalto é “ex-marido de Jucilene Maria Rodrigues, atual companheira do autor”, de acordo com uma decisão judicial sobre o assunto.

Bom relacionamento – Para entidades ligadas aos indígenas, a nomeação de Xavier da Silva é parte da estratégia do governo federal para evitar novas demarcações de terras e embaraçar os trabalhos da Funai. Ao mesmo tempo, o ex-deputado federal Nilson Leitão (PSDB-MT), que trabalhou com Xavier na CPI da Funai e do Incra da Câmara dos Deputados, diz que o delegado sempre teve um bom relacionamento com os indígenas – exceto aqueles ligados às ONGs. Xavier detém conhecimento profundo sobre a temática indígena, segundo Nilson Leitão. Outro ex-chefe de Xavier também elogia o seu trabalho. “Foi um bom assessor. Conhece a questão indígena”, disse o ex-ministro Carlos Marun à BBC News Brasil. “Tem visão crítica quanto ao trabalho de algumas ONGs no assunto”, acrescenta..

Prestes a completar 43 anos, Xavier é técnico em Agropecuária e bacharel em Direito por uma universidade privada de São Paulo. Concluiu também uma pós-graduação em ciências criminais na Universidade Anhanguera Uniderp (MS).

 

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