Misturar política com família nem sempre dá certo

É a segunda vez na carreira política de Alvaro Dias que ele é cogitado para ser vice-presidente, agora de Geraldo Alckmin, conforme aconselha o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. A primeira vez foi na eleição de 2010, quando até o minuto final do prazo para o registro das candidaturas Alvaro parecia confirmado como companheiro de chapa do tucano José Serra, que concorreu com Dilma Rousseff, o “poste” que Lula lançou para a sua sucessão.

Nos momentos finais, no entanto, o PSDB mudou de planos: substituiu o senador Alvaro Dias pelo opaco deputado fluminense Índio da Costa, do DEM. Dilma ganhou no primeiro turno.

Esta movimentação trouxe consequências no Paraná. O senador Osmar Dias, do PDT, já havia desistido de concorrer ao Palácio Iguaçu na eleição de 2010 porque não poderia fazer campanha no estado em campo político oposto ao do irmão e, em razão disso, não organizara a própria campanha nem construíra alianças no Paraná. Só decidiu sair candidato à meia-noite do último dia do prazo de inscrição – o que o forçou a se coligar com quem não pretendia.

Levou a tiracolo e facilitou a vitória dos dois candidatos de sua chapa ao Senado, Gleisi Hoffmann (PT) e Roberto Requião (PMDB), que derrotaram Gustavo Fruet (então no PSDB) e Ricardo Barros (PP).

Em 2018, Osmar vive situação parecida: o irmão Alvaro é candidato à presidência e ele a governador, porém em campos políticos opostos. Osmar, para não prejudicar Alvaro e poder apoiá-lo, encontra dificuldades para montar suas alianças, enquanto que Alvaro não manifesta apoio explícito ao irmão para não desagradar os dois outros candidatos situacionistas, Cida Borghetti (PP) e Ratinho Jr. (PSD).

Misturar política com família é mesmo complicado. Só é fácil quando os parentes estão do mesmo lado – a exemplo de Beto Richa e Ricardo Barros, com mulheres, irmãos e filhos remando num barco só, que replicam no Paraná as oligarquias familiares mais comuns no Nordeste.

2 COMENTÁRIOS

  1. E assim passam os dias. Osmar então, não demora muito vai se tornar sinônimo de indecisão, vacilação. Tipo: ” o cara tá mais indeciso que o Osmar Dias” ou ” deu uma de Osmar Dias e deixou passar a chance”. Bobalhão. Pega um a linha e vai com ela rapaz!

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