“Maior esquema de corrupção da história do Paraná”

Está escrito na petição que o Ministério Público Federal endereçou ao juiz da 23.ª Vara Criminal Federal para mostrar a conveniência de decretação da prisão preventiva do ex-governador Beto Richa:

Deve-se pontuar que esse possivelmente é o maior esquema de corrupção já investigado na história do Estado.

Na petição, o MPF enumera, além do que detectou na Operação Integração, outras investigações, algumas delas procedidas pelo Gaeco (Ministério Público Estadual), citando neste sentido a Rádio Patrulha e a Quadro Negro.

Há claros sinais de que os dois MPs – Federal e Estadual – estão trabalhando em conjunto, compartilhando informações e provas. São citados na petição:

As evidências desta peça demonstraram boa dose de autoria e materialidade em relação aos crimes de lavagem de dinheiro e corrupção praticados no contexto das apurações da “Operação Integração”.

O investigado BETO RICHA é alvo de inúmeras outras investigações por supostos crimes cometidos também no exercício do seu mandato. Nessa linha, citem-se:

1) Operação Publicano: deflagrada para investigar um esquema montado usando auditores da Receita Estadual para abastecer o caixa 2 da campanha de reeleição de Beto Richa em 2014. Mais de 200 pessoas foram denunciadas, entre empresários, auditores fiscais e membros da alta cúpula da Receita Estadual, ligados ao governador Beto Richa. Segundo a Secretaria Estadual da Fazenda, o valor desviado por meio do esquema passa de R$ 2 bilhões;

2) Operação Piloto: Onze acusados se tornaram réus na Lava Jato e respondem por crimes como corrupção ativa e passiva, fraude a licitação e lavagem de dinheiro, por irregularidades no contrato para duplicação da PR-323, que liga Maringá, no norte do Paraná, a Francisco Alves, no noroeste do estado. Segundo a denúncia do Ministério Público Federal (MPF), o Grupo Odebrecht fez, no primeiro semestre de 2014, fez  acordo ilícito com Deonilson Roldo para que a concorrência fosse limitada na licitação da Parceria Público-Privada (PPP) para as obras na rodovia. Em contrapartida, a empreiteira pagaria R$ 4 milhões a Roldo e ao seu grupo. Os lançamentos registrados no sistema de contabilidade informal da Odebrecht mostram o pagamento de pelo menos R$ 3,5 milhões em espécie.;

3) Operação Superagui: apura suspeitas de irregularidades na concessão de licença ambiental para abrir um pátio de caminhões às margens da BR-277. O Ministério Público do Paraná denunciou Jorge Atherinoe o servidor do IAP Venilton Pacheco Muccilo, por fraude em licenciamento ambiental de um empreendimento em Paranaguá, no litoral do estado.

4) Operação Quadro Negro: Apura o desvio de mais de R$ 20 milhões de obras de escolas públicas do estado. O Ministério Público do Paraná denunciou o exgovernador Beto Richa, os deputados Plauto Miró (DEM) e Valdir Rossoni e outras seis pessoas por improbidade administrativa.

5) Operação Radio patrulha: referente à aquisição/locação de equipamentos para o programa do Governo Estadual denominado PATRULHA DO CAMPO. Conforme apurado pelo Ministério Público do Paraná, antes, durante e após a execução dos contratos, os empresários que ganharam a licitação e os funcionários públicos que foram beneficiados ilicitamente – incluindo o ex-Governador do Estado do Paraná BETO RICHA – praticaram diversas condutas criminosas, tais como: i) montagem e posteriores alterações ilícitas do edital sob nº 53/2011 para beneficiar determinadas empresas participantes e, com isso, beneficiar todos os criminosos envolvidos; ii) acerto das propostas de preços e de outras ilegalidades que ocorreram em reuniões criminosas realizadas antes, durante e após o procedimento licitatório com os empresários e então integrantes do Poder Executivo, em especial com Pepe Richa; iii) acerto de propinas sobre os pagamentos realizados pelo Governo do Estado em face dos contratos, os quais foram repassados aos agentes públicos

6) TGA CAMPINA GRANDE DO SUL: investiga possível atuação do então governador, que teria, por decreto, alterado zoneamento referente a uma área de proteção, com vistas a valorizar um terreno adquirido pouco antes pelos proprietários da “Transportadora Gralha Azul”. A alteração teria beneficiado economicamente os proprietários, que venderam por R$ 25milhões uma área adquirida quatro anos antes por apenas R$ 1,4 milhão. Em troca, RICHA teria recebido valores para sua campanha eleitoral de 2014 e também participação oculta em negócios imobiliários.

Assim, os pressupostos da prisão preventivas estão presentes. Há uma boa dose de autoria e materialidade em relação aos crimes de corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, fraude licitatória, peculato e associação criminosa.

Leia aqui a íntegra da petição do Ministério Público Federal:

1 COMENTÁRIO

  1. O 01 do José Richa surfou uma onda que parecia interminável que começou la no passado quando pedalou na Prefeitura de Curitiba.

    O Judiciário parceiro , que nunca nem viu ou achou nada errado , deu asas pra cobra e agora diz que “nunca na Historia do PR”

    Claro que não acredito nisso pois como o Brasil não investiga P.N. ficamos comendo na mão de delator.

    Seria mais correto falar que esta é a maior roubalheira que eles ja conseguiram registrar.

    Imagina o monte que já passou sem que houvesse alguem pra entregar?

    Se fosse pra valer valeria investigar tudo desde a eleição do Flávio da familia richa pra deputado estadual.

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