Lula tem 38% no 1º turno e empata com Flávio no 2º, aponta Indexa/Broadcast

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera a disputa pela Presidência da República com 38% das intenções de voto, seguido pelo senador Flavio Bolsonaro (PL-RJ), com 34%, segundo a 5ª rodada da Pesquisa Nacional Indexa/Broadcast. Na sequência aparecem o escritor Augusto Cury (Avante) com 6%, Ronaldo Caiado (PSD), com 4%, Renan Santos (Missão), com 3%, e Romeu Zema (Novo), com 1%. Brancos e nulos somam 6%, 4% dizem que não iriam votar e outros 4% não sabem ou não opinaram.

Em relação à rodada de agosto, Lula oscilou de 39% para 38%, enquanto Flavio Bolsonaro permaneceu em 34%. A diferença entre os dois, que era de cinco pontos, passou para quatro.

Os cruzamentos mostram um país dividido também por região. Lula alcança 52% no Nordeste, enquanto Flavio lidera no Centro-Oeste, com 37%, no Sudeste, também com 37%, e no Sul, com 43%. No Norte, Lula registra 42%, contra 35% de Flavio.

A diferença também aparece entre homens e mulheres. Lula tem 41% entre as mulheres, contra 31% de Flavio Bolsonaro. No eleitorado masculino, o cenário se inverte: Flavio tem 37% e Lula, 35%. Entre os evangélicos, Flavio alcança 49%, enquanto Lula registra 27%. Entre os católicos, Lula lidera por 42% a 31%.

Para o sociólogo e CEO da Indexa Pesquisas, Arilton Freres, a segmentação do eleitorado ajuda a explicar o equilíbrio nacional. “A disputa presidencial está cada vez mais marcada pela capacidade dos dois principais candidatos de mobilizar grupos muito definidos do eleitorado. Lula mantém uma vantagem importante entre as mulheres e no Nordeste, enquanto Flavio Bolsonaro apresenta força entre homens, evangélicos e em regiões como Sul e Sudeste. O resultado nacional é a soma dessas divisões, e hoje nenhuma delas pode ser ignorada na estratégia eleitoral.”

Segundo turno

O cenário mais apertado aparece em uma eventual disputa direta entre Lula e Flavio Bolsonaro. O presidente registra 43% e Flavio, 42%, diferença de apenas um ponto percentual. Na rodada anterior, Lula tinha 46% e Flavio, 41%.

Regionalmente, a polarização se acentua: Lula chega a 57% no Nordeste, contra 30% de Flavio, enquanto Flavio alcança 56% no Sul, diante de 31% de Lula. No Sudeste, Flavio aparece com 44% e Lula com 40%.

Nas demais simulações, Lula tem 45% contra 34% de Zema; 43% contra 39% de Ronaldo Caiado; 45% contra 35% de Renan Santos; e 41% contra 39% de Augusto Cury.

“O dado mais relevante do segundo turno é que diferentes candidaturas conseguem produzir graus muito distintos de competitividade. Contra Flavio Bolsonaro, temos uma situação de virtual empate dentro da margem de erro. Caiado e Augusto Cury também aparecem próximos de Lula. Isso indica que a definição do campo adversário ao presidente pode ser tão importante quanto a própria evolução da avaliação do governo”, avalia Freres.

Voto já é definitivo

A pouco mais de três semanas do primeiro turno, 80% dos eleitores brasileiros afirmam que seu voto para presidente já está definido, enquanto 18% admitem que ainda podem mudar de candidato. Outros 2% não sabem ou não opinaram, segundo a 5ª rodada da Pesquisa Nacional Indexa/Broadcast.

O grau de consolidação aumentou significativamente ao longo da campanha. Em maio, 65% diziam ter voto definitivo. O índice passou para 67% em junho, 66% em julho, 77% em agosto e agora chega a 80%.

A fidelidade é ainda maior entre os dois principais candidatos. Entre os eleitores de Lula, 91% dizem que o voto é definitivo. O mesmo percentual, 91%, é registrado entre os eleitores de Flavio Bolsonaro. Apenas 9% dos eleitores de cada um admitem a possibilidade de mudança.

Para Arilton Freres, CEO da Indexa Pesquisas, o dado mostra que a eleição entra em uma fase em que conquistar votos passa a ser mais difícil.

“Quando oito em cada dez eleitores dizem que já decidiram seu voto, o espaço de movimentação diminui. E Lula e Flavio apresentam um grau de fidelidade ainda maior, de 91%. Isso significa que mudanças mais expressivas no cenário dependem cada vez mais de conquistar eleitores de outras candidaturas, indecisos ou pessoas que ainda admitem rever sua escolha.”

A pesquisa também mediu separadamente o potencial eleitoral dos candidatos. Lula apresenta 50% de potencial, somando os 36% que afirmam que votariam nele com certeza aos 14% que poderiam votar. Ao mesmo tempo, 49% dizem que jamais votariam no presidente.

Flavio Bolsonaro apresenta potencial de 47%: 33% dizem que votariam nele com certeza e 14% admitem que poderiam votar. Sua rejeição também é de 49%.

É entre os candidatos que aparecem atrás dos dois líderes, porém, que surge um dos principais dados da pesquisa. Ronaldo Caiado tem 46% de potencial eleitoral, sendo apenas 4% de voto certo, mas 42% de eleitores que dizem que poderiam votar nele. Sua rejeição é de 33%.

Augusto Cury, por sua vez, apresenta 36% de potencial — 3% de voto certo e 33% que poderiam votar nele — e rejeição de 28%.

“O potencial eleitoral permite olhar além da fotografia da intenção de voto. Caiado tem hoje apenas 4% no primeiro turno, mas 42% dizem que poderiam votar nele. É uma reserva de votos bastante significativa. A questão é saber quanto desse potencial pode efetivamente ser convertido em intenção de voto nas semanas finais da campanha”, afirma Freres.

O desempenho de Caiado aparece também nas simulações de segundo turno. Contra Lula, o governador registra 39%, diante de 43% do presidente, diferença de quatro pontos percentuais.

“Lula e Flavio têm eleitorados maiores, mas também enfrentam rejeições muito elevadas, de 49%. Candidatos menos consolidados têm o problema inverso: precisam transformar conhecimento e possibilidade de voto em voto efetivo. Essa é uma das disputas que merece ser observada nesta reta final”, completa Arilton.

Avaliação do governo

A 5ª rodada da Pesquisa Nacional Indexa/Broadcast mostra que 45% dos brasileiros avaliam o governo do presidente Lula como ruim ou péssimo, enquanto 34% consideram a administração ótima ou boa. Outros 19% classificam o governo como regular e 2% não sabem ou não opinaram.

Na avaliação direta da forma de administrar do presidente, 46% aprovam Lula e 50% desaprovam, enquanto 4% não sabem ou não opinaram.

Os resultados revelam diferenças expressivas entre as regiões. A aprovação chega a 58% no Nordeste, onde 36% desaprovam. No sentido contrário, a desaprovação alcança 65% no Sul, contra 30% de aprovação. No Centro-Oeste, 57% desaprovam e 40% aprovam; no Sudeste, são 53% contra 44%.

Para o CEO da Indexa Pesquisas, Arilton Freres, a avaliação do governo é uma das variáveis centrais para entender o atual cenário eleitoral.

“O presidente disputa a reeleição carregando simultaneamente a força de uma base muito fiel e o desgaste de uma parcela significativa do eleitorado. A aprovação de 46% mostra que Lula conserva um contingente expressivo de apoio, mas a desaprovação de 50% estabelece um limite importante para sua expansão. A eleição tende a depender da capacidade do governo de reduzir essa resistência fora de sua base tradicional.”

A pesquisa perguntou aos entrevistados, independentemente da intenção de voto, se Lula merece mais quatro anos de mandato. Para 54%, o presidente não merece um novo mandato; 39% afirmam que merece e 7% não sabem ou não opinaram.

As diferenças regionais voltam a ser expressivas. No Nordeste, 54% consideram que Lula merece mais quatro anos, contra 39% que dizem que não. No Sul, 72% afirmam que o presidente não merece um novo mandato, contra 25% que defendem sua continuidade. No Centro-Oeste, a proporção é de 67% contra 27%.

Também há uma diferença importante por religião. Entre os evangélicos, 66% dizem que Lula não merece mais quatro anos, enquanto 27% defendem um novo mandato. Entre os católicos, 51% dizem que não merece e 44% que merece.

“Esse indicador é particularmente relevante porque a pergunta independe da intenção de voto. Há uma parcela maior do eleitorado que hoje rejeita a continuidade do governo do que aquela que rejeita necessariamente Lula como candidato. A campanha do presidente precisa convencer não apenas quem pode votar nele, mas quem ainda não considera que seu governo justifique mais quatro anos”, analisa Arilton Freres.

A pesquisa mostra ainda que a avaliação do governo e a disputa eleitoral não são perfeitamente coincidentes. Lula lidera o primeiro turno com 38%, mesmo com 45% de ruim ou péssimo e 50% de desaprovação. Em uma eventual disputa contra Flavio Bolsonaro, o resultado é de 43% a 42%, configurando empate dentro da margem de erro.

“Isso mostra que eleição e avaliação de governo dialogam, mas não são a mesma coisa. O eleitor também compara alternativas, rejeições e riscos. É justamente essa combinação que ajuda a explicar como um presidente com desaprovação numericamente superior à aprovação permanece competitivo e lidera a corrida presidencial”, conclui Freres.

Sobre a pesquisa

A 5ª rodada da Pesquisa Nacional Indexa/Broadcast ouviu 2.000 eleitores, por meio de entrevistas telefônicas (CATI), de 10 a 13 de setembro de 2026. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-03482/2026. A amostra é estratificada por grandes regiões e ponderada por gênero, faixa etária, escolaridade, renda e região.

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