Bancadas da Alep passam por mudanças; líderes avaliam cenário para 2027

A agenda de votações e discussões para os últimos três meses da atual Legislatura e a composição da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) e do governo do Paraná para os próximos quatro anos foram temas que repercutiram nas sessões plenárias desta terça-feira (6). Foi o primeiro compromisso em Plenário após as eleições que definiram os 54 deputados estaduais que farão parte da 21ª Legislatura da Casa de Leis, com início em 2027.

No último domingo (4), os eleitores do Paraná reelegeram 31 parlamentares estaduais da Alep, que cumprirão mais um mandato, e elegeram 23 novos representantes para o período de 2027 a 2031. A taxa de renovação foi de 42,59%. Dos 13 deputados e deputadas estaduais desta legislatura que concorreram a outros cargos, quatro foram eleitos, todos para uma vaga na Câmara dos Deputados. O pleito também sagrou governador o senador Sergio Moro (PL), que chefiará o Poder Executivo.

Transição

Conforme o presidente da Alep, deputado Alexandre Curi (Republicanos), o Parlamento se dedicará nestes últimos meses de 2026, entre outras coisas, à discussão da Lei Orçamentária Anual (LOA), que estima receita e fixa despesas do Estado para 2027 e deve ser aprovada até o fim de dezembro. “Vamos conduzir também ouvindo a opinião do próximo governador, que tem que ser respeitada, até porque esse orçamento será executado em 2027”, ressaltou Curi.

O presidente destacou ainda que já está em contato com o futuro chefe do Executivo para colaborar com a transição de governo. “Ontem o senador Sergio Moro me mandou uma mensagem para que pudéssemos conversar nesta semana sobre a transição do governo e da Assembleia Legislativa. Nós vamos conduzir com muito diálogo, de forma transparente”, acrescentou. Alexandre Curi concorreu ao cargo de senador pelo Paraná, mas não foi eleito.

“O governador Ratinho Júnior relatou que não encaminhará mais nenhuma mensagem, apenas realizar a transição para o [futuro] governador Sergio Moro. Vamos votar o orçamento e pautas que vamos ainda definir com a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), mas nada polêmico”, complementou Curi. As atividades parlamentares deste ano devem ser encerradas no dia 14 de dezembro.

Liderança do Governo

O líder do Governo na Assembleia, deputado Hussein Bakri (PSD), avaliou que as eleições garantiram uma bancada expressiva ao PSD e aos partidos que integram o atual grupo governista. Foram eleitos 14 deputados estaduais pelo partido que, “somados às legendas próximas ao grupo, chegam a 34 parlamentares”. Bakri afirmou que a composição assegura maioria na Assembleia, mas ressaltou que a relação com o próximo governo dependerá da disposição para o diálogo.

“Nós somos a favor do Paraná, sem demagogia nenhuma. O que for de interesse do Paraná, estaremos juntos. É óbvio que vai depender mais do governador eleito do que de nós. É dele o primeiro movimento, se quer conversar com os deputados, com o PSD e com os demais partidos. Nós queremos construir, queremos avançar”, afirmou o parlamentar, reeleito para o quarto mandato.

Bakri também destacou que a LOA, já encaminhada à Assembleia, deverá ser discutida levando em consideração o governo que assumirá o Estado. “Temos que ter essa grandeza, essa institucionalidade de sentar e discutir, porque é o novo governo que vai administrar o Estado. Quando formos discutir o orçamento, certamente o governador eleito Sergio Moro terá seus interlocutores e seus deputados aqui, e nós estaremos à disposição para construir um orçamento que atenda ao novo governo”, acrescentou.

Oposição

O líder da Oposição, deputado Arilson Chiorato (PT), celebrou a ampliação dos partidos que hoje compõem a bancada, que agrega os partidos PT e PDT. O PT elegeu um parlamentar a mais em relação ao pleito anterior, passando de 7 para 8 representantes. O PDT mantém o mesmo número de cadeiras, com 1 deputado.

“Aumentamos também os votos numericamente no Estado, com cerca de 160 mil votos a mais que na eleição passada para deputado estadual e 130 mil votos a mais para deputado federal. São números importantes”, ressaltou Chiorato, sobre os dados do PT. A sigla terá também ampla renovação, com seis novos deputados e apenas dois reeleitos.

Chiorato, que a partir do próximo ano ocupará uma cadeira na Câmara dos Deputados, acredita que os parlamentares realizarão um trabalho de continuidade. “Embora tenhamos sido minoria, fizemos uma oposição muito importante para o Paraná”, ressaltou, apontando a atuação da bancada contra os projetos de privatização da Copel, o programa Parceiro da Escola, entre outros.

Bancada Feminina

Atual líder da Bancada Feminina, a deputada reeleita Mabel Canto (PP) lamentou a redução da representatividade feminina na próxima legislatura. Após atingir o recorde histórico de dez deputadas em 2022, a Assembleia Legislativa contará com uma representante a menos a partir do próximo ano.

“A gente fica triste porque perdemos uma cadeira. Nosso propósito era aumentar essa representatividade. Das atuais deputadas, três foram reeleitas e teremos seis novas parlamentares, que com certeza vêm para somar”, afirmou. Segundo Mabel, a intenção é reunir as eleitas em breve para iniciar as discussões sobre a atuação da bancada na próxima legislatura.

A parlamentar ressaltou ainda que, apesar das diferenças partidárias e ideológicas, a Bancada Feminina tem mantido uma atuação conjunta em temas relacionados aos direitos das mulheres. “A pauta da mulher deve ser de todas e todos, independentemente da ideologia ou posicionamento partidário. Nesses últimos anos, a bancada trabalhou muito unida na pauta dos direitos das mulheres”, destacou.

Mabel também defendeu maior presença feminina nos espaços de decisão da Assembleia, incluindo a presidência da Casa e das comissões permanentes. “As mulheres têm que ocupar esses espaços de poder. Temos a presidência, a CCJ e as demais comissões, que também podem ser presididas por mulheres”, disse.

Além de Mabel Canto, foram reeleitas Flávia Francischini (PL) e Maria Victoria (PP). Entre as novas parlamentares estão Jessicão (PL), Delegada Tathiana Guzella (PL), Fabiana Parro (Podemos), Lu Bonatto (Podemos), Miss Preta (PT) e Yasmin Hachem (PT).

Siglas

A composição da Alep muda significativamente entre as eleições de 2022 e 2026. O PL, partido do futuro governador, registrou o maior crescimento entre as siglas, passando de 5 para 14 deputados eleitos.”Há um sentimento de mudança não só a nível de Paraná, mas a nível de Brasil. As pessoas parecem que querem o fim de um ciclo novamente. Tivemos um voto muito à direita”, avalia o atual líder do PL na Alep, Delegado Jacovós (PL).

O quantitativo de parlamentares eleitos pelo PL é similar ao do PSD, que elegeu um parlamentar a menos que na legislatura anterior – ambos os partidos terão as maiores bancadas da Casa de Leis. PP, Novo e Podemos também cresceram nessa legislatura passando, respectivamente, de 5 para 6 deputados, de 0 para 3 e de 2 para 3. Republicanos e MDB mantêm o mesmo número de cadeiras, com 3 e 2 deputados, respectivamente.

Por outro lado, União Brasil, que tinha 7 deputados, e as bancadas de PSDB/Cidadania, PROS, Solidariedade e PSB deixam de figurar entre os eleitos. (Foto: Orlando Kissner/Alep).

 

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