Lava Jato do Paraná se revolta contra interferência de Brasília

A Força Tarefa da Lava Jato em Curitiba, chefiada pelo procurador Deltan Dallagnol, resiste a uma tentativa feita pela sub-procuradora Geral da República Lindora Araújo para obter dados sigilosos e gravações feitas ao longo das principais operações levadas a cabo pelo grupo de procuradores paranaenses.

Tudo começou na quarta-feira (24) quando Lindora fez uma visita a Curitiba e requisitou os dados, mas não apresentou motivos nem se estava agindo a mando superior – no caso, possivelmente, do Procurador Geral Augusto Aras. Diante da resistência da Lava Jato de Curitiba, que recorreu à corregedoria-geral do Ministério Público Federal, Lindora desistiu da tarefa e voltou para Brasília de mãos vazias na quinta-feira (25).

O caso é visto como uma tentativa de “busca e apreensão” informal do material de trabalho da força-tarefa. Segundo a colunista Bela Megale, do jornal O Globo, procuradores suspeitam que Aras busca acessar dados da Lava-Jato para atacar o ex-ministro Sergio Moro.

Procurada, a PGR informou em nota que Lindora foi a Curitiba realizar uma “visita de trabalho” na força-tarefa para obter informações sobre o atual estágio das investigações e que ela já havia enviado um ofício, no mês passado, solicitando o fornecimento de cópia das bases de dados da Lava-Jato.

Lindora, com quem Aras tem uma relação de extrema confiança, é a atual coordenadora do grupo de trabalho da Lava-Jato na PGR, mas tem mantido uma relação conturbada com as forças-tarefas desde que assumiu o posto, em janeiro. É ela a responsável pela negociação do acordo de delação premiada com o advogado foragido Rodrigo Tacla Duran, revelada pelo GLOBO, que atacava diretamente um aliado do ex-ministro da Justiça Sergio Moro e lançava suspeitas sobre a Lava-Jato, que já haviam sido arquivadas.

Lindora mostrou especial interesse em obter gravações telefônicas feitas por um sistema implantado em 2015, isto é, a partir do auge da Lava Jato. O sistema grava todas as ligações feitas a partir dos (ou para) ramais telefônicos internos. Além de conversas entre os próprios procuradores, gravava também ligações com os públicos externos – por exemplo, com o então juiz Sergio Moro – para fins de investigação e condução de medidas processuais.

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