(por Ruth Bolognese) – Em março deste ano o jornal O Globo divulgou um disparate (mais um) inacreditável no governo Temer: um jovem de 19 anos, Mikael Tavares Medeiros, apadrinhado pelo PTB, era responsável por um orçamento de R$ 400 milhões no Ministério do Trabalho. Pelo menos neste caso, Temer foi rápido e mandou demitir o rapaz.
Guardadas as devidas proporções, a governadora-candidata Cida Borghetti também colocou um estagiário de Direito de 22 anos, Saul Dorval Filho, para a chefiar um departamento do Instituto de Terras Cartografia e Geologia do Paraná, ITCG. Até então, e como é de praxe, o cargo era ocupado por um geólogo.
Num longo desabafo a este Contraponto, o estagiário da Cida se comparou a Alexandre Magno, rei da Macedônia, a George (aportuguesou para Jorge) Washington e Nelson Mandela, todos grandes líderes mundiais para mostrar que juventude não é defeito. E de fato não é. Muito pelo contrário.
O que deve ser questionado é a capacidade de um estagiário de Direito – ou de qualquer outra área – comandar um departamento específico, onde o conhecimento técnico é fundamental, tanto assim que até então era ocupado por um profissional da área. E vamos e venhamos, o jovem Saul que nos perdoe, mas formação na área cartorial, como ele afirma ter, não o coloca como um expert em terras, cartografia e geologia no Paraná.
Fiquemos, portanto, com um conselho de um brasileiro que morreu velho, sábio pela experiência, genial pelo talento, Nelson Rodrigues: Jovens, “envelheçam”.

Mas é claro que o jovem estagiário tem competência. Igualzinho os outros cargos nomeados pela Governadora Cida para a secretaria do Meio Ambiente, tem que saber agitar a banderia do PP, aceitar doar parte do salário para o caixa dois da candidata, ser afiliado da famiglia Barros.