Surpreendido em Nova Iorque na semana passada com a informação de que Jair Bolsonaro tinha mandado a Petrobras suspender o reajuste do óleo diesel, o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que era possível “consertar” o ato do presidente, que, de um dia para o outro, desvalorizou a estatal em R$ 32 bilhões e colocou sob desconfiança as promessas liberais da campanha.

Guedes começou a “consertar” ao afirmar nesta terça-feira (16), no Palácio do Planalto, que o governo federal está comprometido em não manipular preços e em aumentar a transparência da Petrobras. Ele e o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, explicaram ao presidente Jair Bolsonaro como funciona o processo de formação de preços dos combustíveis.

Em entrevista coletiva de imprensa após a reunião, Guedes alertou que um eventual congelamento de preços colocaria em risco os futuros leilões de gás e petróleo, inclusive do excedente de barris da camada pré-sal. O ministro da Economia nada falou sobre o que disse Bolsonaro durante a reunião. É possível que tenha entendido a lição.

“Quem estabelece as práticas de preço é a Petrobras. A maior demonstração que podemos dar de que foi uma reunião de esclarecimento é que não saímos com preço [dos combustíveis] fechado. O presidente da Petrobras tem o encargo de tornar cada vez mais transparente a política de preços. O que está claro é que tem uma dimensão econômica a ser respeitada para não colocar em risco nossos leilões”, declarou Guedes, em sua primeira entrevista coletiva desde que assumiu o cargo.

Segundo Bento Albuquerque, o presidente “foi esclarecido” sobre o assunto e a definição sobre qual será o percentual reajuste no preço do combustível, e quando ele será aplicado, são decisões exclusivas da Petrobras. “Desde 2002, o preço do mercado de combustíveis é livre e quem vai tratar desse assunto é a Petrobras”, afirmou.