Caminhoneiros em greve pararam o Brasil. A causa parece pequena – alguns centavos a menos no preço do diesel. Mas é assim, por um motivo que aos olhos dos outros pode parecer pequeno, que começam grandes conflitos, capazes até de mudar o mundo.

Em 1968, estudantes franceses começaram um protesto dentro de uma universidade perto de Paris por uma simples questão de mudança no currículo da escola. O movimento se espalhou, Paris ficou em chamas, greve geral e violência paralisaram a França… Desde então, todos sabemos, o mundo não é mais o mesmo.

Em 2013, no Brasil, multidões saíram às ruas. Lutavam por motivos diversos, mas em Curitiba especialmente o protesto era contra um aumento de 20 centavos na tarifa de ônibus. As manifestações de 2013 foram um “ensaio” para o que viria depois, quando milhões agitaram bandeiras pedindo o impeachment de Dilma e outros milhões defendiam a presidente. Deu no que deu, todos hoje sabemos também.

Tudo isso faz lembrar que Curitiba teve a “Guerra do Pente”.

Aconteceu em 8 de dezembro de 1959, quando um subtenente da Polícia Militar comprou um pente do comerciante libanês Ahmed Najar, no valor de uma ninharia, mas exigiu a nota fiscal. O lojista não negou, mas ouviu xingamentos, retrucou e, da briga, aconteceu de o policial fraturar uma perna. Começava o conflito, no qual 120 lojas de árabes, judeus, italianos e brasileiros, mas todos conhecidos como “turcos”, foram depredadas. Algumas delas totalmente destruídas.

Todos os jornais, revistas, além da rádio, registraram o acontecimento do primeiro dia e a espontaneidade com que tudo se iniciara. A revolta atingiu as lojas do centro da cidade, bares, bancas de revistas e carrinhos de pipoca, repartições públicas, delegacias de polícia…

A intervenção policial e de uma guarnição do Corpo de Bombeiros acirrou ainda mais os ânimos dos populares. Houve quebra-quebra generalizado por todo o centro curitibano. Com a intensificação da ação policial sobre o povo, aumentou-se a resposta de forma violenta, dispersando-a para outras ruas e praças. No segundo dia do levante, muitos dos “desordeiros” haviam sido presos. Porém, o movimento continuou com menor proporção.

O Exército assumiu o comando de controle do tumulto, que parecia fugir das mãos da Polícia Civil e Militar, e teve um reordenamento de estratégia. Uma ação organizada de forte aparato bélico, com pelotões de soldados armados de baionetas e metralhadoras, esvaziou o centro da cidade, numa operação de segurança comandada pelo Capitão José Olavo de Castro, da Polícia do Exército.

No terceiro e último dia do protesto, o Exército controlou a cidade. Pontos de ônibus foram alterados de local, realizou-se toque de recolher às 20h e medidas de controle intenso do espaço público foram tomadas.

O trechos do vídeo que o Contraponto publica são de um documentário produzido por Nivaldo Lopes e Dirceu Mendes de Brito, disponível no Youtube e que pode ser visto completo clicando aqui.