Com nova acusação contra o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado e o operador financeiro Paulo Haddad, o número de denúncias somente no primeiro semestre se iguala ao total de 2017 e supera 2018
A força-tarefa Lava Jato do Ministério Público Federal no Paraná (MPF/PR) já ofereceu, até o momento, 14 denúncias perante a Justiça Federal do Paraná, igualando o total de acusações realizadas ao longo de 2017 e superando o número registrado em 2018.
Ao todo já foram oferecidas 99 denúncias contra 437 pessoas na Lava Jato em Curitiba. As primeiras acusações ocorreram em abril de 2014 e, desde então, o tamanho da investigação aumentou consideravelmente. Entre as denúncias oferecidas neste ano está a que aponta o cometimento de crimes de lavagem de dinheiro e corrupção ativa e passiva na negociação e contratação de afretamento de navios pela Transpetro, subsidiária da Petrobras.
Neste ano já foram denunciados, por exemplo, o presidente nacional do MDB, Romero Jucá, o ex-governador paranaense, Carlos Alberto Richa (Beto Richa); empresários e agentes públicos identificados no esquema de corrupção ligado ao pedágio de rodovias federais no Paraná; Paulo Vieira Souza, apontado como operador do PSDB, além de três ex-executivos do Banco Paulista.
Em nova denúncia, apresentada no mês de abril e divulgada nesta data, também foram acusados o ex-presidente da Transpetro José Sérgio de Oliveira Machado e o broker (operador financeiro) Paulo Cesar Chafic Haddad, pelos crimes de lavagem de dinheiro e corrupção passiva e ativa. Consta desta denúncia que pelo menos R$ 13,5 milhões foram pagos em propina para garantir o direcionamento do negócio em favor das empresas Noroil Empresa de Navegação Ltda. e Vilken Hull.
Ao longo da investigação ficou comprovado que, da mesma maneira que foi demonstrado na Petrobras, o esquema criminoso de pagamentos de propina se estendeu para a Transpetro. Sérgio Machado, então presidente da subsidiária, indicado e mantido no cargo por integrantes do MDB, tinha a função de arrecadar propinas para seus padrinhos políticos. Em contrapartida ao pagamento de vantagens indevidas, ele promovia o direcionamento de contratações e repassava informações sigilosas a fim de beneficiar determinadas empresas. O montante das propinas foi calculado em R$ 13 milhões.
