Pelo menos desde meados da década de 1990, todos os governadores sonharam construir uma grande ferrovia ligando Dourados, no Mato Grosso do Sul, e o Porto de Paranaguá. A ideia está na cabeça de todos desde que foi construído o trecho da Ferroeste, pelo governador Mário Pereira, entre Guarapuava e Cascavel, pouco mais de 200 quilômetros de trilhos economicamente inviável ou dependente da ferrovia Central do Paraná, concedida à empresa Rumo.
Também já passou pela cabeça do governo federal fazer uma grande ligação ferroviária Norte-Sul, com um ramal passando por dentro do Paraná e aproveitando o trecho da Ferroeste.
Todos os projetos eram bem-intencionados e necessários par a dotar o estado de transporte ferroviário eficiente para a escoar a sua crescente produção agropecuária e industrial. Nada saiu do papel.
Agora, já quase no fim do governo Beto Richa (em tese, faltam apenas seis meses para ele deixar o Palácio), voltam os sonhos mirabolantes de fazer a ferrovia de 1.200 quilômetros. Quatro consultas públicas estão agendas pela Ferroeste para explicar aos interessados a proposta de construção da ferrovia e “receber contribuições da sociedade civil sobre o modal ferroviário na região abarcada pelo projeto”.
Há um detalhe importante no projeto que será detalhado: a Ferroeste pretende que a estrada chegue não apenas ao Porto de Paranaguá mas também ao de Pontal do Paraná, este último um gigante terminal privado (do empresário João Carlos Ribeiro) que não se viabilizará se o governo não destinar recursos enormes para levar até ele rodovia, ferrovia e energia.
