O apelo das empresas de ônibus de Curitiba: “Não seja jaguara!”

“Pense no coletivo e não seja jaguara!” Com essa frase as empresas de ônibus de Curitiba lançaram uma campanha para mostrar que não adianta apontar o dedo e culpar o transporte coletivo pelo aumento de casos de coronavírus, especialmente se o passageiro não faz a sua parte. Idosos nos coletivos em pleno horário de pico, comércios não respeitando a bandeira laranja e aumentando a demanda de passageiros e até jovens usando o cartão isento dos avós estão entre alguns pontos que mostram como, em alguns casos, se busca um culpado, mas não se ajuda na solução.”

A afirmação é do diretor executivo do Sindicato das Empresas do Transporte Coletivo de Curitiba (Setransp), Luiz Alberto Lenz Cesar, em entrevista esta manhã à Radio Banda B. Segundo ele, há muitos ataques que apontam o transporte coletivo como o culpado pelo coronavírus. “Temos que ver a causa e o efeito. A fonte é a conscientização das pessoas em usar o ônibus de forma adequada. Se todos usam o ônibus no mesmo horário, você causa uma aglomeração de pessoas. O que pedimos é a responsabilidade das pessoas e que cada um cumpra com sua parte. “

O apelo das empresas de ônibus de Curitiba: "Não seja jaguara!"O termo ‘Jaguara’ escolhido pelas empresas para a campanha se dá pela atitude de determinadas pessoas em meio a um momento em que se exige responsabilidade. “Por que está fazendo algo errado, abrindo mais cedo e expondo funcionários, indo em desacordo com a determinação municipal? Por que o filho ou neto estão usando o cartão do idoso, que não pode sair de casa neste momento? É coisa de Jaguara”, lamentou.

Ainda de acordo com o diretor, mais de dez linhas de ônibus estão com 100% da frota, então se tem ônibus lotados a culpa não pode ser da empresa. “Todo mundo sentado? Não tem como, porque você tem uma quantidade de pessoas enorme naquele mesmo horário, porque não há a conscientização de todos. Além do lojista, que abre na hora errada, tem aquele que pega o transporte no horário de pico para ir à farmácia, tem idosos, que deveriam estar em casa, dentro dos coletivos e alguns deles ainda no horário de maior demanda. Se for necessário usar, o idoso deve fazer no período mais tranquilo”, pediu.

Questionado sobre a regra de 50% de passageiros dentro dos ônibus, o diretor afirmou que na saída dos terminais isso é cumprido, mas que ao se parar em tubos e estações as pessoas não colaboram. “Os ônibus saem dos terminais com 50%, mas aí existem nos pontos e estações aqueles que querem entrar e que não trabalham em serviços essenciais, que são a prioridade para o transporte coletivo. Por isso, é tão importante a questão do escalonamento do horário. O horário de pico é para quem trabalha em serviço essencial”, lembrou.

Por fim, Lenz Cesar deixou um recado para quem culpa apenas os ônibus pelo aumento de casos do coronavírus. “Você está fazendo sua parte? Pelas empresas, todos os esforços estão sendo feitos, com 100% da frota em mais de dez linhas. As empresas estão neste período sem qualquer remuneração de capital. Por favor, não seja um Jaguara, venha conosco e não fique só reclamando”, concluiu.

O apelo das empresas de ônibus de Curitiba: "Não seja jaguara!"

4 COMENTÁRIOS

  1. Desde que começou a pandemia as empresas reduziram a frota em circulação. Foram quase 100 dias de aglomeração em ônibus, em tubos, em terminais. E agora esses mal educados tem a cara de pau de dizer que a população é jaguara? Eles fazem a porcaria e querem por a culpa no povo, que precisa trabalhar para viver? É muito fácil falar assim, com duzentos milhões na conta!