Embargo americano retém dois navios do Irã em Paranaguá

Dois navios do Irã estão parados no Porto de Paranaguá desde junho: eles não conseguem ser abastecidos para fazer a viagem de volta porque a Petrobras, conforme comunicado oficial que divulgou nesta sexta-feira (19), está obedecendo às sanções dos Estados Unidos contra o governo iraniano.

“Caso a Petrobras venha a abastecer esses navios, ficará sujeita ao risco de ser incluída na mesma lista [de empresas e países sob sanções norte-americanas], o que poderia ocasionar graves prejuízos à companhia.”

Os dois navios do Irã enfrentam dificuldades de obter combustível para voltar à Ásia. As embarcações trouxeram ureia ao Brasil e deveriam retornar com milho brasileiro.

As sanções dos norte-americanos se devem ao programa nuclear iraniano. Washington proíbe, entre outras coisas, que países que negociam com os EUA realizem transações com empresas e países sancionados.

A Petrobrás informou que existem outras empresas com capacidade de atender à demanda por combustível para os cargueiros. No entanto, os exportadores brasileiros alegam que não há outra alternativa viável e segura para o abastecimento das embarcações, que dependem de um tipo específico de combustível cujo fornecimento é monopólio da estatal.

Embargo americano retém dois navios do Irã em ParanaguáA empresa brasileira – que não teve o nome divulgado porque o processo corre em segredo de Justiça – obteve uma liminar do Tribunal de Justiça do Paraná, no começo do mês, ordenando que os cargueiros fossem abastecidos. A liminar, porém, foi suspensa pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli. A decisão foi preliminar e não tem data para ser avaliada.

Enquanto isso, os cargueiros seguem parados. O navio MV Bavand já está carregado com 48 mil toneladas de milho – avaliadas em R$ 45,5 milhões – e deveria ter partido para o Irã no dia 8 de junho. O MV Termeh aguarda, desde o dia 9 de junho, o combustível para seguir rumo ao Porto de Imbituba (SC), onde receberá a carga.

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