(por Ruth Bolognese) – O presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, chamou a atenção do mundo, hoje, ao incitar a população a “matar bispos católicos porque não servem para nada”. O presidente eleito do Brasil, Jair Bolsonaro, frequentemente comparado a Duterte, elogiou a ação de Policiais Militares do Rio de Janeiro, que mataram o assaltante de uma joalheria, onde uma senhora de 83 anos foi mantida refém.

Entre matar um bispo católico e um bandido que faz refém uma senhora de 83 anos há uma diferença abissal. Mas a permissão para matar, vinda de presidentes da República, é uma ousadia de quase guerra, cuja consequência é difícil de prever. Bolsonaro prometeu estender aos civis o direito (hoje quase exclusivo das forças de segurança) de voltar a adquirir armas – e pelo jeito, usá-las – com muito mais facilidade do que atualmente.

Se isso não é a incitação à violência, pura e simples, seria o quê? Mais juízo, diga-se, tem o super ministro da Justiça, Sérgio Moro, quando disse que a situação ideal em confrontos é sempre o policial ir para casa e o bandido para a cadeia. Todos vivos, de preferência.