Do colete de R$10 mil a BMW conversível em Miami: a vida fácil com dinheiro público

(por Ruth Bolognese) – A delação de Maurício Fanini, ex-diretor da secretaria da Educacão e amigo próximo do ex-governador Beto Richa, condena mais pelos detalhes do que pela denúncia, que já era do conhecimento público há mais de dois anos: os R$ 20 milhões desviados de reformas e construção de escolas públicas para a campanha da reeleição. Agora, segundo o delator, se sabe que, além da campanha, o dinheiro também custeou o padrão invejável da família Richa e, pior, mimos caríssimos ao próprio governador.

Os dados são chocantes porque transportam Beto Richa, filho de José, reserva jovem do PSDB nacional, para o mundo truncado de um Eduardo Cunha, por exemplo, preso em Pinhais por conta de uma vida milionária e por falcatruas inimagináveis. Ou Sérgio Cabral, o ex-governador do Rio hoje trancafiado em Bangu.

A delação de Fanini traça o roteiro perfeito de como tudo aconteceu nos bastidores do governo Beto Richa, longe dos discursos oficiais e da pregação moralista de que “minha mulher é rica e, portanto, não preciso de dinheiro publico”, e induz à pergunta básica ao ex-governador: “e se a mulher fosse pobre, precisaria?”

E então surge a mala com R$ 100 mil reais, o pedido de R$ 500 mil para completar o pagamento de um apartamento do filho mais velho, as viagens fascinantes para Las Vegas, o aluguel de uma BMW conversível para passeios em Miami, o presente do empresário Carlos Gusso na forma de um colete da marca mais cara do mundo, “Loro Piana” (custo do mimo: R$10 mil), jantares brindados a champagne Cristal e turnês pelo Caribe.

E no meio disso tudo, três fieis companheiros: o primo distante Abi Antoun, o sempre presente Ezequias Moreira e o famoso “Grego”, empresário e sócio da familia, Jorge Atherino. Esperto, safo, Atherino teve o cuidado de montar um armário secreto no box de um banheiro de casa para guardar dinheiro que vinha de forma incerta e não sabida, diretamente dos cofres públicos.

A família Richa está envolvida inteira nessa delação. E com provas. Como mensagens trocadas entre dona Fernanda Richa e a mulher de Fanini, Betina, até quando foi possível manter um relacionamento amigável.

A delação, homologada pelo Supremo Tribunal Federal, como sempre acontece, veio na sequência do desespero do delator, preso, pressionado pela família e abandonado pelos comparsas. Aí, caem por terra as juras de eterna amizade e lealdade.

Por mais que a família Richa venha a se defender, o roteiro está milimetricamente estabelecido e nem o mais criativo dos delatores poderia dar tantos detalhes, com tantas provas, se não tivesse participado dos fatos.

O submundo do governo Richa veio a tona. E não trás nada de bom para se olhar.

8 COMENTÁRIOS

  1. Gente os por memores da delação, tem nexo causal e nem provas necessita a riqueza de detalhes é contundente…e vem aí a delação de Nelson Leal do DER que é para por uma pá de cal no Clã dos Richa. THE END

  2. Putz! Fui pesquisar a página da marca do colete, a tal Loro Piana. Os preços são quase inacreditáveis. Camisas por 2,5 mil, calças por 3,5 mil, jaquetas por 16 mil… A venda desses produtos devia ser obrigatoriamente comunicada à receita federal. Não dá pra acreditar que alguém que ganhe dinheiro honestamente gaste assim, por mais rico que seja (com as exceções que só confirmam regra, claro). Mas a receita federal está mais preocupada em atazanar a vida dos assalariados. Muito mais cômodo e sem ter que encarar as inevitáveis pressões por perturbar o andar de cima.

  3. Ahahahahah! Dona Rute parece a Candinha fofoqueira!! Essa delação mais parece roteiro de filme de quinta!! Não que o playboy não mereça um processo pelo conjunto da obra, mas o que dela consta nem homologada será!

  4. que vergonha dona fernanda, roubando dinheiro da educacao.
    que papelão……querendo se passar pela evita das araucarias e sendo sordida
    tirando o futuro de criancas
    decepção……..tristeza……

  5. Coisa feia D Ruth, De envergonhar o paranaense médio que votou nesta arara. Ta vendo por que o Requião ainda é alternativa politica real?

    Penso no fracasso que foi a sucessão dos grandes homens da politica dos anos 60/70. Da geração do aecio, cabral, richa, todos filhos de gente relevante na historia do Brasil não sobrou ninguem. Tudo pilantra.

    Pergunta: em que ´ponto houve o desvio ou sempre foi assim e apenas mantiveram os esquemas ?

    Estas são as perguntas que a lava jato não fez e foge de fazer.

    • Alô,Pereira,
      devagar com o Rei-quião,que tem muita roubalheira dessa familia também,néh?
      O já esqueceu? Os bicheiros,o Porto de Paranaguá,as ”diárias misteriosas” nas viagens oficiais? as compras de coletes da PM? etc,etc.
      Hoje,não temos candidatos fichas limpas,infelismente.
      Temos de continuar investigando e com as antenas ligadas pra escolhermos o menos ruim,pelo menos.

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