Delegados denunciam à OEA o caos nas cadeias do Paraná

Já que se esgotaram todas as condições de diálogo entre os delegados e o secretário da Segurança Pública e Administração Penitenciária, Wagner Mesquita, a Associação dos Delegados da Polícia Civil do Paraná (Adepol) decidiu se dirigir à comissão de direitos humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA) para denunciar o caótica situação dos xadrezes das delegacias.

Dez mil presos superlotam espaços onde não caberiam nem quatro mil. Doenças como aids e outras sexualmente transmissíveis, sem falar de tuberculose e sarna, se alastram nos ambientes insalubres das cadeias que caem aos pedaços. Nelas ficam detidos e misturados por tempo indeterminado suspeitos de furto de galinha a perigosos chefes de tráfico e homicidas. Muitos já condenados e que deveriam estar cumprindo penas em penitenciárias; outros estão lá mesmo sem provas de que cometeram crimes.

Promessas de construção de 20 (ou 14, sabe-se lá) penitenciárias vêm sendo repetidas há oito anos e não saem do papel. Soluções improvisadas, como os caixotes de concreto, capazes de abrir 12 presos cada um, que começam a ser instalados em terrenos de delegacias, são apresentadas como “solução” inteligente e barata para reduzir o problema – mas claramente insuficiente e igualmente desumana.

O reduzido número de delegados e investigadores não cumpre suas funções de prevenir e investigar crimes porque se obrigam a atuar como guardas de cadeia.

Só nos últimos seis meses, foram registradas 503 fugas de presos, sem contar as rebeliões com mortos e feridos.

Como o governo e a secretaria da Segurança e Administração Penitenciária não se mexem para evitar o pior, os delegados da Polícia Civil preferiram dar conhecimento da situação à OEA.

1 COMENTÁRIO

  1. Mais uma do pior governo que já passou pelo palácio do Iguaçu; com razão os delegados pois as ditas “autoridades de controle público” no Estados estão sempre compadrinhadas em defenderem suas benesses recíprocas mas não em atender o interesse público.

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