Delação de Nelson Leal traz mais luzes sobre fraude no Paraná

Uma nova delação premiada da Lava Jato já acertada, de Nelson Leal Júnior, ex-diretor do Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER-PR), tem tudo para complicar ainda mais a situação de dois personagens conhecidos dos investigadores: o advogado Rodrigo Tacla Duran, foragido na Espanha, e o Grupo Triunfo, que atua nos segmentos de energia, concessão rodoviária e administração de aeroporto.

A revelação é da revista IstoÉ deste fim de semana, em reportagem da jornalista Tábata Viapiana.

Para quem não se lembra, o Contraponto relembra: Nelson Leal Jr. teve sua prisão decretada pelo juiz Sérgio Moro em 22 de fevereiro passado quando o Ministério Público Federal (MPF) deflagrou a Operação Integração. O inquérito indicava que o ex-servidor do governo Beto Richa concedia vantagens indevidas para a concessionária Econorte, consórcio do qual faz parte a Triunfo e que administra a rodovia BR-369, no Norte do estado, e que permitiu à pedageira elevar as tarifas muito além do razoável.

Leal, em troca, recebia propinas que, supostamente, acrescentaram ao seu patrimônio bens incompatíveis com sua renda real. Entre os bens, um apartamento de luxo – já confiscado pela Justiça – no balneário de Camboriú, com valor estimado em R$ 2,5 milhões.

O caso foi incluído na Operação Lava Jato em razão de o advogado Tacla Durán já ter sido identificado antes como operador de transferências financeiras ilegais e lavagem de dinheiro a serviço de várias empreiteiras envolvidas em desvios da Petrobrás. Durán, que tem dupla nacionalidade, se encontra livre na Espanha e o Brasil não conseguiu suas extradição para responder pelos crimes no país.

A IstoÉ diz que Tacla Durán e a Construtora paranaense Triunfo são investigados desde 2016, mas voltaram ao radar da PF em fevereiro deste ano, na 48ª fase da Lava Jato, que apurou o esquema de fraudes e desvios na Econorte, empresa do Grupo Triunfo, que possui concessões de rodovias no Paraná. Agora, a colaboração do ex-diretor do DER vai detalhar a relação entre Tacla Duran, conhecido por lavar dinheiro para a Odebrecht, e o Grupo Triunfo, detentor também da concessão do Aeroporto de Viracopos.

IstoÉ apurou que o escritório de advocacia de Tacla Duran prestou várias consultorias para a Triunfo e a suspeita é que elas, na verdade, não passem de lavagem de dinheiro. Um contrato apreendido pela PF na sede da Triunfo, em São Paulo, mostra que Tacla Duran foi consultor da empresa nas obras da Usina Hidrelétrica de Três Irmãos. O documento é de setembro de 2014, seis meses depois da deflagração da primeira etapa da Lava Jato.

Em nota, a Triunfo disse que está “prestando esclarecimento às autoridades competentes”.

4 COMENTÁRIOS

  1. Nos últimos tempos dediquei algumas horas assistindo filmes da máfia, de organizações que manipulam o sistema para obterem benesses. Ao fazer paralelo com grupos políticos, alianças, cujo objetivo é controlar as finanças do poder desde municipal, estatal, federal e associados empresas etc. A diferença entre as organizações, (mafia e grupos políticos, este tem certa legalidade quando age dentro dos principios. Porém, na real não é bem assim, possuem imunidades, foro privilegiados, tem apoio de outros poderes, quase uma atuação filarmonica.
    Infelizmente, todos pagamos o preço alto na qualidade dos serviços públicos, educação, segurança etc…por uma razão muito simples estampados nas noticias do cotidiano, o maior dos carcinomas, desvio de condutas, c o r r u p ç a o.

  2. Muito bem, Oto! Querendo eles ou não, tudo indica que lamentavelmente, o ex-governador será um dos grandes protagonistas dessa delação. Que o diga aquela foto das mais estapafúrdias que já vi na internet, onde a esposa desse senhor Nelson, era servida por um garçom com luvas brancas, a beira mar.

  3. Curioso que não haja na matéria nenhuma menção à participação direta do ex-governador. Mais curioso ainda é que a reportagem seja assinada por uma jornalista que é filha do ex- secretário de comunicação do Paraná., Paulino Viapiana. Aliás amigo inseparável de Deonilson Roldo. Ambos inclusive compraram terrenos contíguos e construiram belas casas no parque Tingüí.

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