Delação de Fanini compromete Richa na Quadro Negro

O jornal O Globo, deste sábado (9), confirma informações que este Contraponto vinha adiantando há tempos: o engenheiro Maurício Fanini, ex-diretor da Educação, assinou delação premiada junto ao Ministério Público Federal na qual implica o governador Beto Richa em outro crime, o de obstrução de Justiça.

Fanini diz em sua delação que, por ordem de Richa, o empresário e amigo (de ambos) Theodócio Jorge Atherino pagava-lhe R$ 12 mil mensais como “cala boca” – isto é, para evitar que ele relatasse como se dava o esquema de desvio de verbas para a construção e reforma de escolas e investigado pela Operação Quadro Negro. Fanini era o operador do esquema. Como responsável por autorizar pagamentos às construtoras – dentre as quais a Valor, cujo dono Eduardo Lopes também é delator – Fanini mandava fraudar as medições e antecipar e/ou acrescentar aditivos em troca de propinas que beneficiariam o grupo político de Richa.

A reportagem de O Globo, assinada pela repórter BELA MEGALE, tem o seguinte teor:

Ex-aliado diz que foi pago para proteger governador do Paraná

Delação de Fanini compromete Richa na Quadro NegroEm proposta de delação premiada entregue à Procuradoria-Geral da República (PGR), Maurício Fanini, ex-aliado do governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), afirmou que recebeu dinheiro para não comprometer o tucano na operação Quadro Negro, que apura cerca de R$ 20 milhões de desvios da construção de escolas públicas para beneficiar políticos. Fanini chegou a ocupar cargos no governo do tucano.

Fanini sustentou que recebeu um “cala boca” do empresário Jorge Atherino no valor mensal de cerca de R$ 12 mil. Os pagamentos teriam acontecido por ordem de Richa, após a exoneração de Fanini da presidência da Fundepar, em junho de 2015. A autarquia foi reativada pelo governador para cuidar da parte administrativa da Secretaria de Educação.

Além de relatar tentativa de obstrução de Justiça por parte de Richa, Fanini detalhou viagens que fez com o governador e que teriam sido pagas por empresários que tinham negócios com o estado. Gastos em viagens do governador já haviam sido relatados por outro delator. Eduardo Lopes de Souza, dono da construtora Valor, que já teve a delação homologada no âmbito da Quadro Negro, contou que deu US$ 20 mil em espécie para Fanini levar e usar com Richa na chamada “viagem da vitória”, em novembro 2014, para Miami e Caribe, com a intenção de celebrar a reeleição do governador do Paraná. Segundo Souza, durante a viagem, Fanini teria comprado um relógio Rolex de presente para o governador reeleito.

A construtora Valor integrava o esquema de desvios da construção de escolas públicas do Paraná. O dono da construtora também relatou que Fanini era intermediário de repasses de dinheiro a Richa. O ex-servidor e o governador foram colegas de faculdade.

Além dessa investigação, que corre em sigilo no Superior Tribunal de Justiça (STJ), há outras duas que envolvem o governador do Paraná e o empresário Jorge Atherino, que teria realizado os pagamentos do suborno a pedido do tucano. Uma delas apura se Atherino foi o operador de Richa no pagamento de R$ 2,5 milhões de caixa dois feito pela Odebrecht à campanha de reeleição do político em 2014. Segundo a delação do ex-executivo Benedicto Júnior, Atherino procurou a Odebrecht em nome do comitê do PSDB local pedindo apoio para a reeleição de Richa. Ele teria sido o responsável por combinar com a empreiteira a senha e o endereço de pagamentos ilícitos.

A terceira investigação apura um decreto assinado pelo governador que liberou a construção de um empreendimento próximo ao Porto de Paranaguá (PR), que favoreceu a Green Logística, empresa da família de Atherino. Segundo o Ministério Público, a Green Logística tem como uma de suas sócias a FC Participações, mesma empresa que figurou no quadro societário da Green Gold, que teve entre os donos dois filhos de Richa.

A assessoria do governador negou as acusações e disse que Richa nunca autorizou Atherino a fazer pagamentos em seu nome. Sobre Fanini, afirmou que “assim que houve suspeitas de irregularidades envolvendo o servidor, foram exonerados os suspeitos e deflagradas medidas administrativas e judiciais para apurar responsabilidades pelos ilícitos praticados”. Disse ainda “o Poder Executivo, por determinação de Richa, promoveu todas as ações de responsabilizações de servidores antecedentes e concomitantes à Quadro Negro, sempre subsidiando os órgãos públicos”.

Segundo o governo do Paraná, as apurações resultaram no ajuizamento de oito ações de improbidade e sete ações civis públicas. “Todas as irregularidades que chegaram ao conhecimento do governador Beto Richa foram imediatamente combatidas”. Diz ainda que as informações do delator da Odebrecht, de que o empresário teria operado em sua campanha de reeleição, são “inverídicas” e que “todas as doações eleitorais de campanhas foram declaradas à Justiça Eleitoral”. As defesas de Maurício Fanini e Jorge Atherino não quiseram se pronunciar.

1 COMENTÁRIO

  1. Por doze mil reais !??? Estou chocada ahahahah essa devia ser uma promoção né…fosse um milhão e duzentos por mês para calar a boca vá lá né….tá vendo..o barato sai caro….ainda bem que rica e Cia além de corruptos são incompetentes….daí a coisa emergiu.

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