Dicas sobre o Canadá
Querido Netinho! Permita-me chamá-lo netinho, pois você continua muito fôfo, como quando viajava para a Disney nas minhas excursões quando era jovenzinho. Se não era você, não tem importância. Considero você meu netinho do mesmo jeito…O que importa é que agora você está numa grandiosa missão oficial, “representando os interesses do Paraná”. E vi que você vai começar pelo Canadá.
Na verdade é o Canadá e não é. Você vai para a província do Québec, onde a cultura é francesa. Fala-se francês. As medidas são em metros, litros, graus celsius. Na parte inglesa mede-se em polegadas, galões, graus farenheit. Eles são bilíngues, mas ficarão muito satisfeitos se você se esforçar com um “bonjour” e um “s´il vous plait”. Aqui vão algumas dicas turísticas.
Você vai à Montréal. É uma cidade belíssima. Diferente da Miami, com a qual você está mais familizarizado, não tem mar. Mas é banhada por um riozão, o Saint Laurent. Às margens dele, você pode dar um pulinho (à noite) ao Casino de Montréal. É bem mais chique que o de Ciudad de Leste. Também pode visitar o autódromo Gilles Villeneuve, que fica na ilha de Notre Dame. Eu sei que você adooora uma corrida e vai conhecer o berço de um dos pilotos mais audazes da F-1.
Em Montréal, não deixe de dar um pulinho na rue Sainte Catherine. São uns 15 quarteirões de lojas muito interessantes. E não esqueça que o dólar canadense é mais barato que o americano, portanto é mais vantajoso do que fazer compras nos “malls” de Miami. Dê um pulinho na vila olímpica e compreenda o significado de “legado”. O da copa do mundo deu um estádio novinho a um clube do seu estado. Você era prefeito e comemorou muito quando Curitiba foi indicada como subsede… As Olimpíadas deram à Montreal um complexo turístico (Biodôme, Torre de Montreal, Jardim Botânico) que recebe mais turistas estrangeiros que o Brasil inteiro ao longo de um ano.
Aproveite a visita à Bombardier e veja que eles fabricam aviões modernos regionais. Eles são os maiores concorrentes da nossa Embraer. Aliás, o que aconteceu com aquela fábrica de helicópteros russos que ia se instalar em Maringá? Eu sei que o interesse da visita é com os trens que a Bombardier produz. Você já está pensando no metrô de Curitiba? Ou será para a ferrovia Central do Paraná? Ferroeste? Netinho esperto! Mas cuidado. Parece que os canadenses saíram chamuscados numa concorrência suspeita para trens de metrô em São Paulo. Metrôs e tucanos formam um par explosivo, ao que parece. Não é o seu caso, é claro!
Se tiver tempo, dê uma escapadinha até a cidade de Québec. É a única cidade Patrimônio Histórico da Humanidade na América do Norte. É uma gracinha, e fica a apenas 200 km de Montréal. Por fim, observe como os quebequenses são ciosos de sua cultura e sua memória. O lema da província é “Je me souviens” (Eu me lembro”). Até nas placas dos carros está escrito. Torça para que os paranaenses sejam diametralmente opostos aos moradores do Québec e não se lembrem de nada. Afinal de contas, no ano que vem tem eleição. E “je me souviens” (“eu me lembro”) pode não ser muito saudável para conseguir votos.
PS. Aproveite e se delicie com panquecas banhadas em “Sirop d´érable”, o xarope de bôrdo. É uma seiva doce que eles extraem da árvore que é símbolo do Canadá. Imperdível!
Um beijinho carinhoso.
Vovó Stella
* A empresária carioca Stella Oliveira de Barros foi a pioneira em excursões e pacotes turísticos para a Disneylandia, na Califórina, (recém-inaugurada) em 1957. No início dos anos 70, ela começou um negócio ousado. Excursões para crianças e jovens desacompanhadas ao Disney World e Epcot Center, na Flórida. A agência decolou e chegou a ter cerca de 3 mil pontos de venda no Brasil. Enviava cerca de 20 mil brasileiros por ano ao exterior. Stella Barros morreu em 2004, aos 95 anos de idade.


Pena que não tenhamos memória. Nos contentamos em ser a República de Curitiba sem nos importarmos com os nossos corruptos de estimação. Aqui eles se criam e vivem tranquilamente até o descanso eterno. Depois viram nome de rua. Aqui é o Maranhão do Sul. Ou Paranhão.