A arma não letal de incapacitação neuromuscular Taser 10 é um recurso eficiente para situações de baixa risco ou em que o policial precisa lidar com múltiplas ameaças. Quando disparada, a arma emite pulsos elétricos, causando a imobilização do indivíduo.
O dispositivo adquirido pelo Governo do Paraná é considerado o mais moderno do mercado. “O Paraná vai ser o primeiro estado do Brasil a utilizar este equipamento. Isso coloca as polícias paranaenses no mesmo patamar das polícias de Londres, Nova York, Austrália e Alemanha, por exemplo”, afirmou o diretor-geral da fabricante Axon no Brasil, Arthur Bernardes.
A arma conta com lanterna embutida e laser verde de alta visibilidade, inclusive em ambientes iluminados. Ainda tem um alerta sonoro e visual antes do disparo, o que muitas vezes já é suficiente para conter a situação sem o uso da força.
O disparo ocorre em dois estágios: primeiro, um dardo com fio é lançado sem carga elétrica; após cinco segundos, o segundo cartucho libera a corrente elétrica que promove a incapacitação muscular.

“Ela é um dos instrumentos de menor potencial ofensivo que existem no mercado. A arma causa uma desorientação no sistema nervoso, interrompendo a comunicação entre o sistema motor e o sistema nervoso. Então, independentemente da complexidade física do indivíduo, ela vai fazer com que ele pare. Isso é importante porque cria uma janela de oportunidade para que o policial, com segurança, possa fazer a contenção da pessoa”, detalhou o capitão da Polícia Militar, Erlington José Medeiros de Barros, que já participou do treinamento da fabricante.
Corrente elétrica
A capacidade da arma é um dos diferenciais em relação aos outros modelos. Cada arma carrega dez cartuchos, que são uma espécie de dardo metálico, permitindo atuação em até três alvos distintos. Antigamente, as armas tinham uma capacidade de apenas dois dardos. “Se for necessário reenergizar, você não precisa efetuar um novo disparo. Basta acionar novamente o botão liga/desliga”, explicou o capitão Barros.
A corrente elétrica gerada pela arma é de 1,2 miliampere (mA) – quantidade considerada segura e de baixo risco à vida. Para efeito de comparação, uma tomada comum possui corrente nominal de 10 amperes (A). A tecnologia atua diretamente no sistema nervoso sensorial e motor, provocando a perda momentânea de controle muscular.
Outro diferencial do modelo é que ele pode ser usado inclusive em curta distância, como em eventuais confrontos físicos, algo que outras tecnologias similares não permitem. “É uma opção para resolver uma situação antes dela se tornar ainda mais grave”, disse o capitão.
Treinamento
As armas adquiridas pelo Paraná contam com quatro tipos de câmaras (locais que armazenam os cartuchos nas armas), cada uma com uma função específica. As câmaras pretas são as usadas nas operações reais, com carga elétrica. Já as vermelhas tornam a arma inerte e servem para ambientar os policiais ao equipamento.
Para treinamentos, há dois modelos: a roxa, que permite a simulação sem disparo, e a azul, que realiza disparo com velcro, mas sem descarga elétrica. Esse conjunto possibilita um treinamento completo, seguro e realista para os agentes.
A partir da próxima semana, policiais de todas as regiões do Estado, pertencentes às forças que vão receber os equipamentos, participarão de treinamentos com instrutores da própria Axon. Eles se tornarão instrutores em seus departamentos, garantindo a correta utilização da nova tecnologia em operações e abordagens.
Para aprimorar ainda mais a capacitação, o Governo do Paraná também adquiriu três kits completos de realidade virtual, compostos por óculos imersivos, tablets e controladores específicos. A tecnologia será utilizada nos centros de formação policial e simula, de maneira realista, situações de risco, abordagens, negociações e decisões rápidas, promovendo mais preparo e segurança nas operações do dia a dia.
As armas também contam com tecnologia embarcada que registra automaticamente os usos – tanto em operações quanto em treinamentos. As informações são armazenadas na nuvem em um sistema específico do equipamento. (AEN; Fotos: Geraldo Bubniak e Jonathan Campos, da AEN).
