O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, decidiu nesta quinta-feira (1°) interpelar o presidente Jair Bolsonaro para que ele explique o que sabe sobre a morte de Fernando Augusto de Santa Cruz Oliveira, pai do presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz.
A decisão de Barroso atende a um pedido do próprio Felipe Santa Cruz, que acionou a Corte depois das declarações de Bolsonaro sobre o seu pai, preso e desaparecido político na ditadura por conta da ação do aparelho repressor do Estado. No início da semana, em tom de deboche, o presidente afirmou que se o presidente da OAB quisesse saber o que aconteceu com o seu pal, ele poderia contar. Depois, Bolsonaro disse que a morte do desaparecido político foi provocada pelo grupo de esquerda Ação Popular (AP), informação desmentida por órgãos oficiais.
“O pedido de explicações, previsto no art. 144 do Código Penal, tem por objetivo permitir ao interpelado esclarecer eventuais ambiguidades ou dubiedades dos termos utilizados. Assim, como de praxe nesses casos, notifique-se o interpelado, o Sr. Presidente da República, para, querendo, apresentar resposta à presente interpelação, no prazo de 15 dias”, determinou Barroso.
De acordo com o presidente da OAB, esta não é a primeira vez que Bolsonaro tenta “desqualificar a memória” de seu pai.
“A diferença é que, agora, na condição de presidente da República, ele confessa publicamente saber da forma e da circunstância em que cometido um grave crime contra a humanidade, a saber, o desaparecimento forçado de Fernando de Santa Cruz, além de ofender a memória da vítima, bem como o direito ao luto e à dignidade de seus familiares”, declarou Santa Cruz.

O lugar desse vadio é a cadeia.