Pré-candidato do PSD a governador, Ratinho Jr. tem sido alimentado nos últimos dias com informações palacianas de que Beto Richa vai ficar no posto até o último do mandato, 31 de dezembro. As notícias soam-lhe como acordes musicais. Os informantes postam-se como emissários de Sua Excelência dada a intimidade e liberdade com que circulam nos gabinetes do 3.º andar.
A razão para Ratinho Jr. se regozijar com a brisa que sopra desde o Palácio é simples: se Richa ficar, como lhe garantem os mensageiros, ele seria o candidato natural do governador, ainda que Cida mantenha a própria candidatura. A outra hipótese não lhe agrada: se Beto renunciar dia 7 de abril para disputar o Senado, o governo será entregue à vice Cida Borghetti, que concorrerá à reeleição com a caneta cheia e com a poderosa orientação política do marido Ricardo Barros. Neste caso Ratinho Jr. estaria “morto”.
O “fico” de Richa tem duas vertentes – uma jurídica e outra política. Jurídica porque a qualquer momento pode ser alcançado por novos e constrangedores inquéritos que correm nas instâncias superiores. Neste caso, é melhor se manter na cadeira de governador para não correr o risco de, já no dia seguinte a uma eventual renúncia, perder o foro privilegiado.
E política porque, não sabendo ainda com quem disputará uma das vagas ao Senado, teme ser derrotado. A baixa aceitação do seu nome em Curitiba, região metropolitana e Litoral, que representam mais de 30% do colégio eleitoral do estado, enche-lhe de dúvidas quanto à segurança da empreitada. Além disso, se renunciar, cederia imediatamente o mando político ao habilidoso ministro Ricardo Barros – o que é péssimo para a sobrevivência do próprio grupo, que certamente seria alijado dos influentes postos que ocupam e substituído pelo “grupo Barros”.
Diante de tudo isso, o ânimo renasce nos arraiais de Ratinho Jr. Mas agonia – que atinge também o pai, o apresentador Ratinho, continuará até o último minuto de 7 de abril. Até lá tudo pode mudar.
