As ditaduras e o fascínio pelo mar

(por Ruth Bolognese) – Um velho marinheiro de boa memória lembra um fato histórico interessante e auto-explicativo: uma das formas de assassinar e desaparecer com opositores ao regime no Chile de Pinochet e na Argentina da ditadura militar era jogá-los no mar.

A conversa de áudio gravada por pilotos de avião que usavam a frequência do voo da caravana aérea que trazia o ex-presidente Lula para Curitiba, com a frase “joga esse lixo pela janela”, relembra esses tempos de absoluta repressão e crimes contra a opção política à esquerda em vários países da América Latina.

Existem rumores, nunca comprovados, por exemplo, que pelo menos um dos desaparecidos mais conhecidos na ditadura, o deputado Marcelo Rubens Paiva, morreu e desapareceu dessa forma.

No Chile, uma conversa entre o general Pinochet e o general Leigh, da Força Aérea, teve a seguinte recomendação: oferece a ele saída de avião para o exterior e joga o cara no mar”.

Na ditadura argentina, sob o comando do general Videla, tornou-se regra levar de avião e lançar ao mar os opositores do regime.

3 COMENTÁRIOS

  1. Mas…o corrupto Lula da Silva está são e salvo – não mais livre, leve, solto e em escrachada caravana por esse país – guardado na cadeia, de onde não deverá sair tão cedo, até porque tem outras indiciaçoes contra ele em curso.

  2. No tempo do coturno e da baioneta aqui no BR, se fazia uma caixa quadrada de madeira tamanho 20×20 com 30 de profundidade, se enchia-a de cimento e enfiava os pés do cara nela – vivo. Dum avião, o cara era lançado no mar, bem longe da costa. Na PF de Londrina, como não tinha cela vazia, dormi uma noite sobre um monte de capim num canto de algo que parecia uma garage. Do lado de fora, um agente baixim assim, ficava o tempo dizendo: Deixa ele comigo, deixa ele comigo. Na terceira noite, esvaziou-se um quarto que servia de depósito de revistas pornográficas masculinas, daquelas suecas, coloridas. Imaginem…

  3. Aproveito para fazer um relato sobre o assunto, há uns 28 anos atrás eu atendi em meu trabalho um judeu argentino, filho de um oficial da marinha de lá. Ele ficou surpreso porque eu ouvia notícias na RAI rádio argentina. A guerra das Malvinas estava quente ainda, entramos no assunto e ele fazia críticas aos militares argentinos, inclusive me contou que soube que haviam trocas de prisioneiros entre o Brasil e Argentina, pois como derradeira tortura os presos eram informados que não morreriam em seu pais de origem, viajavam para serem concretados pelas pernas em baldes de cimento, após faziam um passeio de helicóptero em alto mar. Não sei se isso é verdade e me perdoem os familiares por comentar algo que os angustia tanto. Contudo guardar isso comigo, mesmo que improvável, sempre foi um fardo.

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