
Sete de abril de 2018. Cida Borghetti toma posse como governadora do estado em substituição ao renunciante Beto Richa.
Poucos mais de um mês antes, em 22 de fevereiro, a Polícia Federal e o Ministério Público Federal haviam lançado a Operação Integração, que investigou favorecimentos em troca de propina para a concessionária Econorte, que administra a BR-369, trecho do Anel de Integração no Norte do Paraná. O então diretor-geral do DER, Nelson Leal Jr., foi preso.
O fato serviu para aumentar o clima de desconfiança que já pairava sobre o governo Beto Richa desde, pelo menos, a eclosão das operações Quadro Negro e Superagui. A primeira, envolvendo a destinação de dinheiro para construção de escolas que não saíam do chão. A segunda, relativa à concessão de licenças ambientais para instalação de um estacionamento de caminhões na BR-277, próximo a Paranaguá.
As três operações tinham algo em comum: em todas havia a participação de velhos amigos, sócios e assessores de Beto Richa – como o próprio ex-diretor do DER Nelson Leal, o colega de faculdade e companheiro de viagens Maurício Fanini e o empresário Theodócio Jorge Atherino.
Tudo isso (mais o falatório generalizado sobre malfeitos) deu motivo para que a governadora Cida Borghetti criasse uma Divisão de Combate à Corrupção no estado. E deu motivo também para o início de uma “limpeza” de quadros ligados a Beto Richa que ocupavam cargos no governo.
Um mês após o início da gestão, novos motivos surgiram. Como uma hecatombe, apareceu a delação premiada do empresário (e ex-amigo) Tony Garcia, que apresentou aos Ministério Público Federal um gravação em que o ex-chefe de Gabinete de Beto Richa, Deonilson Roldo, tentava convencer um empreiteiro a desistir de participar da licitação para duplicação e exploração da PR-323 porque a obra já estava comprometida para a construtora Odebrecht.
Deonilson, que já então ocupava uma diretoria da Copel, foi demitido desta função e de outros seis postos de conselheiro em estatais.
