Acordo do ônibus: Fruet só quer entender (1)

“Não sabe fazer? Deixa que eu faço!”, repetia incessantemente o então candidato Rafael Greca durante a campanha para fustigar o adversário Gustavo Fruet, que disputava a reeleição.

Um dos temas preferidos de suas críticas era o transporte coletivo: reclamava dos ônibus sucateados, da desintegração metropolitana e reputava todos os problemas à falta de diálogo de Fruet com as concessionárias, que eram “parceiras e não inimigas”, dizia. E prometia resolver todos os problemas rapidamente.

No mês seguinte, 6 de fevereiro, aumentou a passagem para R$ 4,25 (a mais cara do país). No dia 9, encontrou-se com o rei das concessionárias, Donato Gulin, num happy hour no Country Club. Era o reinício do “diálogo”. Com a passagem a R$ 4,25 ônibus novos começariam logo a pipocar nas ruas.

Passados mais de nove meses, vê-se agora que só aumentar a tarifa não bastava. Os empresários queriam muito mais. E pelo jeito conseguiram. Tanto que Greca e o sindicato das concessionárias (presidido por outro Gulin) assinaram na semana passada um termo de acordo que vai muito além da simples compra de ônibus novos.

Não se conhece o conteúdo do acordo, mantido em segredo por ambas as partes. Mas uma das cláusulas prevê que todas as ações na Justiça que entre si travaram as empresas e a prefeitura na gestão Fruet foram suspensas, o que faz supor que antigas exigências do município foram abandonadas e que outras vantagens foram oferecidas.

O povo ainda não conhece os termos do acordo, o que contraria a promessa outra promessa também muito repetida – a de que não mais haveria “caixa preta” na Urbs, a gestora do transporte coletivo.

O ex-prefeito Gustavo Fruet ficou curioso em relação ao que mais fez seu sucessor além de pagar uma tarifa técnica de que os empresários não reclamam mais. E fez no Facebook uma série de perguntas que, com certeza, Greca não responderá.

Fruet vai lembrar do macaco do humorístico da Globo: “Não precisa explicar. Eu só queria entender!”.

 

 

 

1 COMENTÁRIO

  1. Fui ler os questionamentos do Fruet e entendi por que perdeu a eleição. Não aparecem em nenhum momento as palavras “povo”, “população”,”habitantes”,”trabalhadores”,”pagadores de impostos”,”consumidores”.. Nada que indique que é o povo quem pagará a tarifa, ops, a conta. Muita tecnicidade e pouca politica. Quer criticar sem meter o dedo na ferida, que diga-se nenhuma candidatura fez na última eleição, fora o PSOL que propôs a estatização pela Prefeitura do sistema. O Tadeu do PT ficou no meio do caminho ao propor “tarifa justa”. Ou seja o caudaloso rio das tarifas ia continuar girando o moinho das familias que controlam. A favor de Curitiba podemos dizer que este esquema mafioso nos transportes públicos é Nacional.
    O Fruet não avançou em nada nos seus 4 anos nesta área. Tentou, como sempre, o acordo “por cima” e não rolou. As familias são unidas em torno de quem lhes deu moleza ao longo dos anos. e ficou mais barato esperar.
    Outro ator parceiro das familias é o MP e a policia . inclusive a PF. Bastaria que usassem o sistema e ver sua obsolescência,comparar a tarifa com que é entregue para por o tico e o teco pra funcionar e ver que há algo muito errado no mundo da URBS..

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