Ação policial pode esconder lobby do “fundo rotativo”, diz ex-secretário

Com a experiência de quem já foi secretário de estado e ocupou outros altos cargos em diferentes gestões do governo paranaense, um antigo servidor de carreira – já aposentado – diz ter razões para desconfiar de que por trás das espetaculosas denúncias de corrupção no sistema de manutenção da frota oficial se esconda um lobby de policiais para ressuscitar velhas práticas que renderam, no passado, outros escândalos.

Segundo interpreta o informante, a intenção seria a de devolver aos “fundos rotativos” transferidos pelo governo a delegacias da Polícia Civil e comandos de unidades da Polícia Militar para também custear a manutenção de viaturas sob suas guardas mediante contratos de serviços com oficinas locais, diretamente e sem licitação.

Em longo e-mail endereçado ao Contraponto – com pedido para que seu nome fosse omitido -, o servidor se referia às denúncias feitas pela Polícia Civil segundo as quais uma empresa contratada pelo governo (a JMK), encarregada de gerenciar a manutenção mecânica dos 18 mil carros oficiais, seria responsável pelo desvio de cerca de R$ 125 milhões de dinheiro público. Dirigentes da empresa foram presos temporariamente sob acusação de chefiarem organização criminosa.

Sim, diz o informante, o contrato da JMK precisa ser constantemente auditado – como qualquer outro contrato que o estado firme com empresas privadas prestadoras de serviço, mas é preciso não esquecer que ao tempo da vigência do sistema de fundos rotativos eram também constantes as denúncias de desvios, de difícil fiscalização, mensuração dos prejuízos e punição dos responsáveis.

Não foram raros os casos, no entanto, em que veículos particulares eram reparados em pequenas oficinas escolhidas livremente pelos ordenadores finais das despesas, mas as contas acabavam sendo pagas com dinheiro do fundo rotativo – enquanto a frota de viaturas se transformava em sucata.

Durante um período, em 2015, mesmo já tendo assinado o contrato com a JMK, o governo continuava mandando dinheiro para abastecer os fundos rotativos, e unidades policiais o utilizavam para manutenção de viaturas. O Tribunal de Contas foi acionado, confirmou a irregularidade, mandou interromper a modalidade e puniu o então secretário da Segurança, Wagner Mesquita.

O informante coloca como agentes do suposto lobby também alguns deputados estaduais ligados a instituições policiais estaduais que conseguiram aprovar a criação da CPI da JMK, cuja instalação foi transferida para terça-feira (4). Ele espera que o relatório final da CPI indique ao governo uma modalidade que garanta a manutenção da frota à prova de fraudes.

4 COMENTÁRIOS

  1. Esse suposto servidor aposentado provavelmente não estava na ativa e não deve ter tido a oportunidade de acompanhar o “excelente” serviço prestado pela JMK. Orçamentos mais que superfaturados para serem realizadas manutenções com peças de segunda e terceira linha, isso quando algo era trocado e não só feita alguma “gambiarra”, várias notificações disso já foram feitas pelas unidades, mas nada era resolvido e quem sofria era o Policial da ponta com viaturas sem condições de uso e com o risco de acidentes…

  2. e qd digo tecnico, qd este composto por interesses políticos como o TCE ao meu ver, instrumento do governo. então ao meu ver, cai por terra toda a lisura do sistema de fiscalização, onde penso que o TCE, qd for composto por técnicos e subordinados ao MP ou diretamente a secretaria da fazenda federal pq, bem ou mal, vai acabar caindo nas malhas da receita federal e os prejuizos, escorados pela União. então penso que toda a frota do governo, deveria sim, ser atendidas pelas concessionarias que tem o seu nome a zelar e não a oficinas de fundo de quintal, agregadas aos amigos da corte q volta e meia, conseguem se desgarrar do verdadeiro caminha da fiscalização da coisa publica. e desta forma manchar o sistema para qual foi intentado.

  3. Na real, penso que a toda frota, teria sim que passar a ser atendida pelas próprias concessionarias distribuidas no estado e, auditada pessoalmente por pessoal técnico, pq acreditar em auditagem do TCE e tb em pessoas que nao sao capacitadas tecnicamente, para tal intento, penso que é jogar dinheiro fora e facilitar o desvio do erario publico como temos visto ai…, pois eu nunca vi, nenhuma fiscalização do MP em ambito interno nos batalhoes, e digo mais, se perguntar ao MP, que sao os fiscais da lei, e tb dos patrimonio publico esses não tem qq conhecimento de o q e como é que as coisas acontece dentro da caserna, pois nunca vi um promotor de justiça promover sua “justiça” no ambito interno dos batalhões de policia Militar e tb nas delegacias de policia Civil e neste ambiente eu passei 25 anos e não sei na data de hoje, mas nunca vi um Promotor de Justiça, perguntar qual e e como se gestiona as despesa dos batalhões e nunca vi, alguns deles, ingressar num batalhão para fins de fiscalização preventiva de nbens materiais e pessoal humano qto a aferição de assiduidade dos gestores da adm publica, a não ser qd a casa cai e aí, em operações espalhafatosas partem para dentro acompanhado da imprensa, depois de algum fato ocorrido, já denunciado pela população, fato que o erario ja rodou e dificilmente sera encontrado e retornara aos cofres da adm publica.

  4. A gestão da frota das Polícias Militar e Civil sempre foram muito bem feitas, quando administradas “intra muros”. Os filtros são absolutos, caindo todos no TCE. Viaturas não paravam por mais do que 5 dias. A JMK e sua quadrilha, sucatearam a frota da segurança pública do estado, o que causou não transtornos, mas até a falta absoluta no atendimento de solicitações da comunidade por falta de viaturas. O que, ao final da análise, pode sim ter concorrido até para a perda de vidas humanas, face a incapacidade de atendimento do estado, por conta da falta de viaturas. O Estado deve confiar em seus servidores e dar aos Comandantes da segurança pública autonomia para gerir sua frota e, ainda mais, fomentar a economia local onde prestam seus serviços. Toda a logística do Estado está mal gerida. Não há como determinados serviços prestados no interior serem geridos na capital. Com a palavra os Prefeitos que pagam combustível, alimentação e conserto de viaturas do Estado.

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