A eleição presidencial de 2026 chega à reta final com aproximadamente 11,5 milhões de brasileiros que ainda admitem mudar de candidato. Embora a maioria do eleitorado já tenha feito sua escolha, 7,3% afirmam que podem rever o voto antes de voltar às urnas. É um contingente expressivo em uma disputa na qual Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparecem separados por apenas um ponto percentual. No primeiro turno, a diferença entre os dois foi de 2,2 milhões de votos, favorável ao candidato do PL.
Os números são da segunda rodada da pesquisa nacional Indexa/Broadcast, realizada nos dias 20 e 21 de outubro, com 2 mil eleitores. O levantamento mostra que 89,8% dos entrevistados consideram seu voto definitivo, enquanto 2,9% não souberam ou não responderam. Em comparação com a rodada anterior, a proporção de eleitores convictos aumentou, indicando que o espaço para mudanças diminui à medida que se aproxima a votação.
Na pesquisa estimulada, quando os nomes dos candidatos são apresentados aos entrevistados, Flávio Bolsonaro aparece com 45,2% das intenções de voto, contra 44,1% de Lula. A diferença de 1,1 ponto percentual está dentro da margem de erro de 2,2 pontos percentuais, configurando um empate técnico. Outros 4,8% afirmam que não irão votar, 4,3% pretendem votar em branco ou anular o voto e 1,6% não souberam responder. Considerando apenas os votos válidos, Flávio Bolsonaro registra 50,6%, enquanto Lula tem 49,4%.
Com a disputa tão equilibrada, conquistar uma pequena parcela dos eleitores que ainda podem mudar de opinião pode ser suficiente para alterar o resultado. Mas as campanhas enfrentam um desafio que vai além de convencer os indecisos. Precisam garantir que seus apoiadores compareçam às urnas, atrair quem não participou do primeiro turno e, em uma tarefa ainda mais difícil, tentar virar votos do adversário.
“A pesquisa mostra que os dois candidatos chegam à reta final com bases eleitorais bastante consolidadas. O desafio das campanhas é encontrar votos fora desses grupos. Em uma eleição tão equilibrada, conquistar uma pequena parcela dos indecisos, reduzir a abstenção ou convencer eleitores do adversário pode fazer a diferença”, analisa Arilton Freres, sociólogo e CEO da Indexa Pesquisas.
A possibilidade de mudança, entretanto, não se distribui igualmente entre os eleitores. Aqueles que se identificam politicamente com o centro são os mais abertos a reconsiderar a escolha. Nesse grupo, 13,3% admitem que ainda podem mudar de candidato, enquanto 83,5% afirmam que o voto é definitivo.
Nos grupos politicamente mais identificados com os candidatos, a convicção é maior. Entre os eleitores da direita não bolsonarista, 95% consideram sua escolha definitiva. O percentual chega a 93,7% entre os de esquerda não lulista, 93,2% entre os bolsonaristas e 92,3% entre os lulistas e petistas. A fidelidade também aparece quando são considerados os candidatos escolhidos: 95% dos eleitores de Flávio Bolsonaro e 93% dos de Lula afirmam que não pretendem mudar o voto.
As diferenças regionais oferecem outras pistas sobre onde as campanhas podem encontrar espaço para avançar. O Sul apresenta a maior proporção de eleitores dispostos a rever a decisão, com 9,8%, e o menor percentual de votos definitivos, 86,9%. No Sudeste e no Centro-Oeste, 90,6% dizem estar decididos. No Nordeste, o índice é de 90,3%, enquanto no Norte chega a 88,8%.
A renda também aparece como um fator de diferenciação. Entre os brasileiros com renda familiar superior a cinco salários mínimos, 94% consideram sua escolha definitiva. O percentual cai para 89% entre aqueles que recebem de dois a cinco salários mínimos e para 86,8% entre os que vivem com até dois salários mínimos.
“O eleitor de centro aparece como o mais disposto a reconsiderar sua escolha, enquanto os grupos mais identificados com os dois campos políticos demonstram maior fidelidade. Isso exige das campanhas uma comunicação que vá além de suas bases tradicionais, especialmente entre os eleitores menos vinculados ideologicamente aos candidatos”, afirma Freres.
A disputa por quem não foi votar
Se convencer o eleitor do adversário parece uma tarefa difícil, mobilizar quem ficou em casa no primeiro turno pode representar uma oportunidade para as campanhas. Segundo os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), aproximadamente 33,4 milhões de brasileiros não compareceram às urnas na primeira votação, o equivalente a 21% do eleitorado.
O número é quase três vezes maior que o contingente estimado de pessoas que admitem mudar de candidato. Isso não significa, porém, que todos esses votos estejam disponíveis. Parte dos ausentes pode voltar a não comparecer, enquanto outros já têm preferência definida. Ainda assim, em uma eleição tão equilibrada, a capacidade de mobilização pode ter peso decisivo.
A própria pesquisa mostra que 4,8% dos entrevistados afirmam que não pretendem votar no segundo turno. Outros 4,3% dizem que irão votar em branco ou anular o voto. Embora não possam ser automaticamente considerados eleitores disponíveis para os candidatos, esses grupos representam um espaço adicional para o trabalho das campanhas.
Diferentemente da tentativa de conquistar alguém que já escolheu o adversário, a mobilização dos ausentes depende de convencer o eleitor a participar da votação. Quem não compareceu ao primeiro turno pode votar no segundo, desde que esteja apto perante a Justiça Eleitoral.
Bolsa Família pode influenciar a decisão
Além da identificação política e da rejeição aos candidatos, as propostas econômicas podem pesar na escolha dos eleitores. A pesquisa mostra que 71,7% dos brasileiros são contrários à redução do valor mensal pago às famílias beneficiárias do Bolsa Família. A rejeição alcança 80,2% entre os lulistas e petistas, mas também é majoritária entre os bolsonaristas, chegando a 62,5%. Quando questionados sobre como reagiriam a um candidato que propusesse diminuir os recursos destinados aos programas sociais, 41,9% afirmaram que teriam menos vontade de votar nele. Outros 45,3% disseram que a proposta não mudaria sua decisão. O levantamento revela ainda que 54,7% dos entrevistados consideram Flávio Bolsonaro o candidato com maior probabilidade de reduzir esses recursos, enquanto 12,8% apontam Lula. Em uma eleição decidida por margens tão estreitas, a preservação dos programas sociais pode se transformar em um argumento importante na disputa pelos eleitores que ainda admitem mudar de posição.
A polarização que marca a eleição presidencial aparece em outra dimensão investigada pela Indexa/Broadcast: o receio dos brasileiros em relação ao resultado das urnas. Para 41% dos entrevistados, o maior temor é a volta da família Bolsonaro ao poder. Outros 38,6% afirmam ter mais medo de um novo mandato de Lula. Há ainda 6,7% que temem as duas possibilidades e 11,6% que dizem não ter medo de nenhuma delas.
Os resultados revelam diferenças importantes entre as regiões. No Nordeste, onde Lula concentra parte expressiva de seu apoio eleitoral, 47% apontam o retorno da família Bolsonaro como principal temor. No Sul, região mais favorável a Flávio Bolsonaro, 51% afirmam ter mais medo de um novo mandato de Lula.
O sentimento de rejeição ao adversário pode ajudar a explicar por que tantos eleitores já consideram sua escolha definitiva. Em uma disputa polarizada, o voto nem sempre representa apenas a preferência por um candidato. Também pode expressar o desejo de impedir a vitória do outro.
“O componente emocional continua muito presente nesta eleição. O medo da vitória do adversário pode funcionar como um estímulo à mobilização, inclusive entre pessoas menos entusiasmadas com o próprio candidato. As campanhas precisam equilibrar esse sentimento com propostas capazes de convencer os eleitores que ainda admitem mudar de posição”, avalia Freres.
A pesquisa Indexa/Broadcast foi realizada nos dias 20 e 21 de outubro de 2026, com 2.000 entrevistas individuais por telefone. O levantamento tem abrangência nacional, margem de erro de 2,2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-02348/2026.
SERVIÇO
Acesso à pesquisa completa e aos dados segmentados
A Indexa Pesquisas disponibiliza o levantamento completo em formato digital, permitindo que veículos de comunicação incorporem o conteúdo diretamente em suas reportagens. Basta inserir o código abaixo no campo de incorporação de conteúdo do sistema de publicação:
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O caderno completo pode ser consultado em:
https://indexapesquisas.com.br/pesquisaspublicadas/
A plataforma permite consultar resultados por região, gênero, faixa etária, escolaridade, renda familiar, religião e perfil político, além de cruzamentos com o voto no segundo turno de 2022. Os veículos podem selecionar recortes específicos, como a intenção de voto entre os homens ou o comportamento atual de quem declarou ter votado em Jair Bolsonaro na eleição anterior.
