Foi uma “piscadinha” que jura ter recebido da imagem de Jesus Crucificado, aos pés da qual rezava numa igreja de São Paulo, que convenceu o diretor teatral Roberto Alvim a aceitar o convite que o presidente Jair Bolsonaro lhe fez minutos antes para assumir um cargo na área cultural do governo federal.

É assim que Alvim – demitido na sexta-feira (17) após plagiar uma frase de Goebbels, chefe da propaganda de Adolf Hitler – contou em uma entrevista a uma emissora católica de televisão, como foi parar no alto posto em Brasília e qual seria sua missão: colocar a arte brasileira alinhada aos valores conservadores, capaz de apontar para Deus como destino último da existência do homem.

Na entrevista, Roberto Alvim revela que, durante a missa que assistia em 2018, no dia de Santo Antonio (13 de junho), recebeu um telefonema do presidente para cumprimentá-lo pela defesa que ele (Alvim) fazia de artistas que eram criticados por terem apoiado a eleição de Bolsonaro.

Da conversa telefônica surgiu a formulação das primeiras linhas de uma política pública no âmbito cultural que deveria ser implementada. E que Roberto Alvim, no último dia de exercício na secretaria especial da Cultura, explicitou assim:

“A arte brasileira da próxima década será heroica e será nacional. Será dotada de grande capacidade de envolvimento emocional e será igualmente imperativa, posto que profundamente vinculada às aspirações urgentes de nosso povo, ou então não será nada.”

A frase é muito parecida – quase uma cópia – com a pronunciada por Joseph Goebbels, o ministro da propaganda de Hitler, um dia antes de ter mandado colocar fogo, em praça pública, em livros que considera contrários à concepção nazista de cultura. Goebbels escreveu assim:

“A arte alemã da próxima década será heroica, será ferreamente romântica, será objetiva e livre de sentimentalismo, será nacional com grande páthos e igualmente imperativa e vinculante, ou então não será nada.”