Vereador quer investigação do MP sobre terceirização de UPAs em Curitiba

O vereador Dalton Borba (PDT) protocolou, nesta quarta-feira (20), pedido para que o Ministério Público do Paraná (MP/PR) investigue as suspeitas de irregularidades nos processos de terceirização de Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) em Curitiba.

“As denúncias que apareceram nos últimos dias são graves e precisam ser apuradas. Na época da terceirização, me posicionei contra e alertei para os riscos desse processo”, afirma o vereador.

Na última segunda-feira (18), matéria do Contraponto revelou que ao menos uma das empresas denunciadas pelos desvios milionários na construção de hospitais de campanha no Rio de Janeiro pertence ao mesmo grupo curitibano que administra a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro CIC.

A terceirização desta UPA foi licitada pelo governo Rafael Greca, em 2018, em favor do Instituto Nacional de Ciências da Saúde (INCS), com sede em Sorocaba (SP). Entretanto, a ganhadora da licitação, segundo denúncia do Sindicato dos Médicos do Paraná (Simepar), “quarteirizou” serviços para a curitibana Hygea Serviços Médicos.

A Hygea é a líder de um grupo formado por quatro outras empresas locadoras de mão de obra de serviços médicos, dentre as quais a Hera Serviços Médicos, que apareceu nas denúncias do Ministério Público Federal do Rio de Janeiro como beneficiária de R$ 133 milhões – parte expressiva do suposto desvio de R$ 800 milhões detectado nos contratos de construção de sete hospitais de campanha do governo Wilson Witzel.

Hygea e Hera compõem a lista de cinco empresas que, de acordo com registros de CNPJ na Receita Federal e Junta Comercial do Paraná, ocupam o mesmo endereço: rua Cândido Xavier, 602, conjunto 302, Condomínio Hamilcar Pizzatto. Lá funcionam também a Prohealth, a Atmed e a Atena.
As cinco empresas “irmãs” estão divididas entre Thiago Gayer Madureira, Larissa Gayer Madureira e Guilherme Gayer Madureira.

O pedido de investigação feito pelo vereador Dalton Borba tem como fundamento a possível conexão das empresas que atuam em Curitiba com os fatos denunciados no Rio de Janeiro. O parlamentar quer saber se irregularidades cometidas lá são semelhantes às suspeitas que envolvem a terceirização da UPA/CIC de Curitiba. “A quarteirização, como está acontecendo no Rio e em Curitiba, é uma barreira para o devido controle do uso dos recursos públicos”, diz o documento encaminhado ao Ministério Público.

Três outras UPAs da cidade estão na fila para terceirização. Em caráter de urgência, dado o quadro da pandemia por coronavírus, foi aberto procedimento pela prefeitura municipal para licitar as unidades do Cajuru, Sítio Cercado e Boa Vista.

O projeto de lei apresentado pelo prefeito Rafael Greca em 2017 para permitir a terceirização de UPAs causou polêmica. Houve invasão e quebradeira na Câmara Municipal, entidades médicas protestaram, mas a atuação do líder do prefeito na Câmara, vereador Pier Petruziello, garantiu a aprovação da matéria. Na eleição de 2018, quando foi candidato a deputado estadual, a maior doação para sua campanha foi feita pelo sócio principal do grupo Hygea, Thiago Madureira.

 

 

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