Vereador nega invasão de igreja e diz que é alvo de mentiras

O vereador Renato Freitas (PT) disse nesta segunda-feira, na sessão plenária da Câmara Municipal de Curitiba, que não houve invasão da Igreja do Rosário e  que é alvo de mentiras, com a mídia repercutindo falsamente que ele teria invadido uma igreja, no meio de uma missa, e que teria ameaçado idosos dentro do templo. “A igreja estava aberta e vazia quando entramos e, em nenhum momento, foi-nos dito para não entrarmos. E, uma vez que entramos, não nos foi dito para sair. Pelo contrário, o padre nos acompanhou o tempo todo”, afirmou o parlamentar.

“Não houve qualquer hostilidade de nossa parte”, continuou Renato Freitas, assegurando que “o que fizemos foi clamar pela vida dentro da Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, construída por pessoas pretas e para pessoas pretas durante o período de escravização, que marca e envergonha a história desse país. E fizemos isso porque a manifestação era em memória de Moïse e de Durval, e tinha como objetivo reivindicar políticas públicas de valorização da vida e enfrentamento ao racismo”. Sem citar nomes, o denunciado disse que “aqueles que me perseguem viram as costas para as injustiças, agradam-se com a iniquidade do mundo, promovem a guerra, massacram os estrangeiros, se aproveitam das viúvas e exploram os órfãos”.

“Infelizmente, a mentira se apresentou com a roupa da verdade e induziu a erro aqueles que acreditam na imparcialidade da mídia. Mídia essa que silenciou nossos clamores com reportagens sensacionalistas, mentirosas e caluniosas contra mim. Os mesmos jornais que calaram sobre a morte de Quintino Correia, homem negro de Guiné-Bissau baleado duas vezes no centro da cidade a caminho do trabalho, foram também os que se delongaram por dias noticiando a ‘Invasão da Igreja’”, queixou-se o denunciado.

Mitra de Curitiba
Foi juntado ao processo contra o vereador, no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara, em resposta a pedido do relator Sidnei Toaldo, um ofício no qual a Mitra da Arquidiocese de Curitiba diz que o protesto “abreviou a missa” e que houve “desrespeito pelo lugar sagrado”. Contudo, diante do pedido de desculpas do vereador à Igreja, a Arquidiocese de Curitiba pede “medida disciplinadora proporcional” e que “não se adote a punição máxima [da cassação do mandato]”. Quem assina o documento é a procuradora Cynthia Glowacki Ferreira.

Com a repercussão do documento na imprensa, o presidente do Conselho de Ética, Dalton Borba (PDT), esclareceu aos jornalistas que a manifestação da Mitra será juntada aos autos e considerada com as outras provas colhidas durante a instrução do PED 1/2022. Ele lembrou, afastando a formação de juízo de valor prévio sobre o processo ético disciplinar, que, no momento, ainda se está na fase de produção de provas, com, por exemplo, a tomada de depoimentos das testemunhas do caso.