Um escolhido muito indiscreto

Nem Cida nem o marido Ricardo abriram a boca até agora para anunciar secretários e outros nomes para ocupar cargos estratégicos no governo que iniciam (no plural mesmo) oficialmente no dia 7 de abril. Mas já houve um vazamento. Nem bem convidado para ser o próximo chefe da Procuradoria Geral do Estado (PGE), o advogado Flávio Pansieri resolveu fazer “campanha” para desbastar resistências e ser confirmado.

A “campanha” se justifica: ele não é da carreira de procuradores do Estado e sabe que encontraria dificuldades para ser aceito na instituição, que, com 270 membros, tem consciência que deve ser do seu meio o nome mais apropriado para ocupar a chefia – cargo que, em última análise, é a de advogado defensor do Estado. Uma espécie de goleiro para evitar não só os gols dos que pretendem tirar vantagens indevidas, mas também alertar os governantes para o cumprimento da ordem legal.

Flávio Pansieri, o candidato indiscreto, não é qualquer um. É professor de Direito Constitucional, amigo pessoal e sócio do escritório de advocacia que divide com Diego Campos, que é marido da deputada Maria Victória e, portanto, genro de Cida e Ricardo.

Com o auxílio de alguns “cabos eleitorais” que encontrou na Procuradoria Geral do Estado (PGE), busca fazer amigos e conquistar simpatias entre os procuradores de carreira – tarefa nada fácil em razão do corporativismo da instituição que, numa história de décadas, teve um só procurador que não pertencia aos seus quadros – Ivan Bonilha, nos meses iniciais do primeiro mandato do amigo Beto Richa, que em seguida o nomeou conselheiro do Tribunal de Contas.

Pansieri andou trabalhando no caso quase-impeachment de Michel Temer, quando o presidente foi denunciado por causa de suas conversas não-republicanas com o açougueiro Joesley Batista. De início, foi contra o movimento da OAB que pretendia o afastamento de Temer. Chegou a gravar um áudio para afirmar que aquela comprometedora frase “tem de manter isso, viu?” (referindo-se às gorgetas que a JBS pagava pelo silêncio de Eduardo Cunha) não passava de uma montagem. Depois, escolhido para ser relator do processo que a OAB propunha contra Temer, Pansieri mudou de opinião e também virou contra.

Como advogado, move na PGE inúmeras ações contra o Estado, o que só faz aumentar a esquizitisse do sua eventual nomeação: como pode ser chefe da PGE alguém que briga com o Estado a quem terá de defender?

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