Semipresidencialismo não deve vingar por aqui

(por Ruth Bolognese) – Tudo o que é “semi” já vem com aquela dúvida de origem, a falta de coragem de assumir o “pleno”. O quase, ou a metade, nunca satisfaz nem se completa.

Não dá pra dizer que uma mulher é “semibonita”, ou um homem é “semialto”. Político “semihonesto” teria alguma chance? Alguém aí confiaria num “semimédico”?

Então, essa tese do semipresidencialismo que o governo Michel Temer está tentando jogar para os brasileiros, numa tentativa patética de extinguir a figura do vice-presidente, é chover no molhado: o presidente eleito escolhe um primeiro-ministro no Legislativo, que seria aprovado pelo Congresso. E ambos vão fazer um semigoverno.

Somos um povo passional demais para dividir poder. Ou absolutistas demais para aceitar duas lideranças em condições de igualdade, mandando em tudo. Ia ser tanto fuxico, tanta maledicência que presidente e primeiro-ministro iam se estapear antes da festa das posses.

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