Sem reforma, Iapar acaba em 5 anos, diz secretário

Ao defender a fusão de quatro órgãos vinculados à secretaria da Agricultura durante audiência pública na Assembleia Legislativa, o secretário Norberto Ortigara afirmou que o Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) poderá deixar de existir dentro de cinco anos por falta de funcionários.

“Se não fizermos nada, o Iapar vai acabar”, disse o secretário, apelando para que os deputados aprovem a proposta do governo que prevê a criação do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná, órgão que unificará organismos atualmente isolados – Iapar, Emater, Codapar e Centro de Agroecologia.

A audiência pública resultou na criação de um grupo de estudo formado por deputados para acompanhar a tramitação do projeto, que ficará encarregado de reunir sugestões das mais diversas correntes “para contribuir com a melhoria da matéria”. A  primeira reunião está marcada para esta segunda-feira (14).

Um acordo entre lideranças decidiu que a matéria não vai tramitar na Assembleia em regime de urgência. Atualmente o texto se encontra na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Ainda não há previsão de quando entra em pauta para o debate entre os parlamentares.

Presente à audiência realizada no plenarinho da Assembleia, o presidente da Emater e do Iapar, Natalino Avance de Souza, defendeu o projeto. Ele lembra que o Iapar, por exemplo, já contou mais de mil pesquisadores, hoje está com 80. A Emater já contou com mais de 2000 colaboradores; atualmente são 141. Ele participou da elaboração do projeto e argumenta que a mudança vai fazer a reposição destes quadros, além de manter as essencialidades institucionais.

Com sede em Londrina, o Iapar foi criado em 1972 pelo então governador Parigot de Souza. Três anos depois, o instituto ganhou grande impulso a partir de 1975 na gestão do governador Jayme Canet Jr., vindo a se tornar em pouco tempo numa das mais conceituadas instituições de pesquisa agronômica do mundo. E responsável, junto com a também fortalecida Emater, pela revolução da agropecuária paranaense.

As dificuldades do Iapar se iniciaram principalmente a partir de sua transformação e autarquia no primeiro governo de Roberto Requião, no início da década de 1990. Laboratórios desde então passaram por processo de sucateamento, ao mesmo tempo que pesquisadores deixaram de ser contratados para substituir as vagas deixadas pelos aposentadores e pelos cientistas recrutados por outras organizações, inclusive da iniciativa privada.

Ainda não ficou claro para a comunidade interessada – produtores rurais, principalmente – como será possível resgatar a excelência da produção científica do Iapar mediante sua incorporação com outros órgãos, igualmente sucateados por décadas de falta de apoio dos governos que se sucederam.

5 COMENTÁRIOS

  1. Lamentável que o Secretário da Agricultura tenha uma visão tão equivocada sobre o IAPAR, basta fazer concurso de provas e títulos para contratar pesquisadores, um acordo com indústrias interessadas pode alavancar recursos para pesquisas, acordos com outros organismos da área estatal federal e de outros Estados e Países podem ajudar nas pesquisas em termos de agrobusiness e até de fármacos. Não destruam o IAPAR, caso contrário este governo vai se assemelhar ao de Álvaro Dias que acabou com o BADEP por não entenderem como recuperar à instituição, ou como Sarney que acabou com o BNH porque não entendeu o que era o FCVS: Fundo de Compensação e Variação Salarial” por conta de uma crise sazonal
    Ou ainda oFim do Banestado por absoluta falta de realizar com boa vontade a recuperação via engenharia financeira e associações com outras instituições .
    Quem quer um EMATER forte é porque é oriundo dessa nobre instituição e acham que podem açambarcar tudo é adequar o plano de cargos e salários para cima.
    Srs. Deputados , SALVEM O IAPAR e sua história.

  2. EDUCAÇÃO, segundo as convenções consagradas mundialmente, compõe-se das atividades de Ensino, Pesquisa e Extensão. Educação continuada, seria o caminho. Não importa o setor. O restante ? É o restante……….

    • Recebi apelos para explicar melhor sobre a sugestão feita. Seria compor um forte núcleo dentro das ações de educação (áreas de pesquisa e de extensão de cursos correlatos) do governo do Paraná. Gestão por programas – foco em cadeias produtivas regionais. Notadamente junto às Universidades e escolas técnicas. Ideia nova ? Nada disso.

  3. Vende aquela área muito valorizada atrás da sede e terão dinheiro por bom tempo. Corretores de Londrina estimam em algo próximo a R$ 150 milhões de reais. Para pesquisa busca uma área mais barata e deixem ali apenas a o prédio da sede. Simples sr. secretário e governanor Ratinho Jr.

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