A notícia política da quarta-feira, divulgada enquanto o Brasil tinha feito só o primeiro gol contra a seleção da Sérvia, é de que o senador Roberto Requião (MDB) “abandonou” a candidatura de Osmar Dias (PDT) ao governo do estado. Algumas perguntas se impõem:
- isto é bom ou ruim para Osmar?
- isto é bom ou ruim para Requião?
- como traduzir o verbo “abandonar”?
Abandonar, segundo o Aurélio, é o mesmo que “deixar ao desamparo”, “renunciar a”, “deixar o lugar em o dever obriga a estar”. Todos os significados indicam a existência de uma premissa: estar junto, ao lado, amparando.
Levando-se em conta o que diz “o pai dos burros”, o verbo abandonar não parece ser o mais apropriado para o caso, já que – a não ser pela insistência de Requião em repetir a dobradinha governador-senador na eleição de outubro – não consta que a ideia tenha prosperado, ou que já estivesse “junto” com Osmar.
Apesar de precisar de tempo de televisão, dinheiro dos fundos partidário e eleitoral para financiar a campanha e militância no estado inteiro -, Osmar Dias nunca disse sim a Requião. Também não disse não. De toda forma, a falta de resposta, portanto, significa que não estavam unidos no sentido político-partidário ou em busca de objetivos comuns. Logo, “abandonar” alguém só ganharia sentido se já estivesse “junto”, “perto”, “próximo”…
Agora, a outra pergunta: não estar junto com Requião (ou ser “abandonado” por ele) faz bem ou faz mal para Osmar?
A pergunta pode ser respondida pelo resultado da eleição de 2010, quando Osmar, candidato a governador, carregou Requião como candidato a senador, na mesma chapa PDT/PMDB de que fez parte também o PT, que tinha Gleisi Hoffmann disputando o Senado.
Osmar Dias perdeu a eleição para governador; Requião e Gleisi foram eleitos senadores. Ruim para o primeiro; bom para os dois últimos.
Se a experiência de oito anos atrás continuar valendo, o “abandono” de Requião pode ser bom para Osmar e ruim para Requião, que, sem um cabeça de chapa, pensa agora concorrer à reeleição sozinho e liberar os emedebistas para apoiarem o candidato a governador de sua preferência. Isto é, os requianistas que ainda existirem estarão livres para votar em Osmar Dias ou em Cida Borghetti (PP) e Ratinho Jr. (PSD), ambos com os pés fincados na mesma origem, isto é, no governo Beto Richa, ao qual Requião fazia oposição e denunciava como corrupto.
Vá entender!
O senador Roberto Requião, por sua vez, embora filiado ao MDB de Temer, manteve os dois pés fincados no PT. Tornou-se arauto na defesa de Lula e Dilma, paladino das mesmas teses nacionaleiras, econômicas e sociais do petismo, visitador do ex-presidente preso no Santa Cândida, discurseiro contra a Lava Jato…
Louve-se: Requião é política e ideologicamente coerente. E coerência é algo raríssimo neste Brasil em que tal atributo é vendido em armazém de secos e molhados, em troca de carguinhos ou gorjetas saídas dos cofres da Petrobras ou de empreiteiras que não conseguem dar explicações republicanas sobre como ganham licitações. Requião, pelo que se sabe, não está metido nesse tipo de negócio.
Graças a isso, Requião tem eleitorado bem definido. Ele representa uma corrente política considerável, tem enorme quantidade de simpatizantes que gostam do seu “jeitão” e pode se reeleger senador com facilidade, até porque são duas as cadeiras em disputa e mais fracos do que ele os oponentes. Mas se tivesse um candidato a governador para chamar de seu sem dúvida seria bem mais confortável. Pelo menos pensava assim antes de “abandonar” o candidato que lhe parecia preferível.
Daí a pergunta: o abandono é bom ou mau? Para quem?

A Requião se aplica o discurso de Cícero na Roma Antiga: “Até quando, ó Catilina, abusarás da nossa paciência? Por quanto tempo ainda há-de zombar de nós essa tua loucura? A que extremos se há-de precipitar a tua audácia sem freio?”
Requião é a prova-mor de que o sulista Paraná tem práticas eleitorais próximas dos currais eleitorais que existem no nordeste do país. Como um ignorante letrado, com duas faculdades e outras pós-graduações, um político atrasado, jurássico, caudilho, conseguiu se eleger governador 3 vezes, senador 2, deputado 1 e prefeito??? Sempre pelo voto popular… É uma prova de que os grotões do interior e os “grotões” enrustidos nas cidades grandes (e na capital) ainda predominam no estado., Será novamente reeleito senador. Depois ainda arrotam que o Paraná é chic, evoluído, com DNA europeu…
Requião só tem aos seus familiares para chamar de seus.
O resto é restolho e retalho.
Personalista encarna o bom político sul-americano da tribo que fala PAMG – promete, acusa, mente e grita.
Como dizia Roberto Campos.
E é um Perfeito Idiota Latinoamericano.