(por Ruth Bolognese) – O apresentador Ratinho veio da escola de Luiz Carlos Alborghetti, um histriônico na arte do bandido bom é bandido morto e essas referências a gente leva vida afora.
Se tivesse dito que a Globo “exagera na marcação de papeis de gênero em novelas e filmes”, talvez tudo passasse em brancas nuvens. Mas usou a expressão “viado” no popular e foi obrigado a se retratar para os politicamente corretos, onde a linguagem direta e chula é crime (grave) de preconceito.
Na campanha para a prefeitura de Curitiba, quando o filho disputou, Ratinho Pai foi protagonista com duas atitudes: chamou o pessoal de Beto Richa de “cuecas de seda”, sacada genial, que se transformou em mote pró Ratinho Jr.
E defendeu o filho com veemência – “meu filho tem nome, sim”- quando a senadora Gleisi Hoffmann fez aquela referência desastrosa sobre o apelido familiar famoso, dizendo que candidato precisa ter nome e sobrenome.
Claro, pouco tempo depois o deputado Ratinho Jr se transformou num dos mais fortes representantes dos “cuecas de seda” ao se aliar ao grupo de Beto Richa e se preparar para disputar o governo.
Agora, ao perceber que os “cuecas de seda” estão todos reunidos sob o comando do ministro da Saúde, Ricardo Barros, já mudou de lado de novo e voltou a comprar cuecas de algodão nos balaios das lojas populares.
O fato é que Ratinho Jr terá o pai na campanha, ativo e operante. Para o bem e para o mal: é financiado por ele com toda a estrutura financeira que precisa e, mais importante ainda, está na sombra da popularidade extraordinária do apresentador. O perfil do “rebelde que fala tudo em nome do povão” vai gerar alegrias e inconveniências. Há que saber dosar tudo muito bem.

Mas afinal de contas tem ou não tem viado, gay, homossexual ou seja qual for o nome que se dá ao ser humano que está infeliz com sua forma sexual original, dentro da programação da Globo?