Procuradores levam a Cida moção contra nomeação de forasteiro

A vice-governadora Cida Borghetti arrisca a conquistar logo de cara a má-vontade de um setor-chave do governo se insistir em nomear Flávio Pansieri para a Procuradoria-Geral do Estado. Na última quarta-feira, ela recebeu moção da Associação dos Procuradores do Estado do Paraná (APEP) comunicando-a que a entidade, em assembleia geral, aprovou moção em que defende que o novo procurador-geral seja escolhido entre os 272 nomes que compõem a carreira.

Pansieri é professor de Direito Constitucional e, como advogado militante, mantém escritório em sociedade com o genro da vice-governadora, Diego Campos, marido da deputada Maria Victória. Caso nomeado, seria uma das duas exceções na história da instituição em que um forasteiro chega ao cargo. O outro foi Ivan Bonilha, mas por apenas uns poucos meses; logo em seguida foi escolhido para uma cadeira de conselheiro do Tribunal de Contas.

Tão logo Pansieri foi convidado por Cida, ele passou a fazer “campanha” na tentativa de dissipar as resistências que ele sabia existir entre os procuradores de carreira. Em vez de dissipar, ele conseguiu aumentar a rejeição – não necessariamente do ponto de vista pessoal, mas em razão de não pertencer ao numeroso e experiente quadro próprio da Procuradoria.

“O problema não é alguém de fora do ninho ser nomeado para chefia a Procuradoria; o problema é quando ele volta para o escritório de advocacia levando consigo todo o ‘acervo’ de contenciosos, muitos envolvendo somas milionárias ou bilionárias, com que a PGE atua cotidianamente em defesa do Estado”, disse ao Contraponto um influente procurador.

O Contraponto apurou que a vice-governadora Cida Borghetti ficou sabendo da posição da categoria também pelo atual procurador-geral, Paulo Rosso, que a informou que está alinhado com a maioria.

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