Com o apoio político de deputados federais e lideranças empresariais de Curitiba, o prefeito Eduardo Pimentel participou da primeira audiência pública da concessão da Malha Sul, nesta quinta-feira (16/7), em Brasília. Na sequência, em reunião com o ministro dos Transportes, George Santoro, a comitiva de Curitiba apresentou a demanda da inclusão dos projetos executivos e a implantação do contorno ferroviário e dos ramais Leste e Oeste nos editais da concessão.
Além do prefeito, estiveram em Brasília os secretários municipais Marcelo Fachinello (Governo Municipal) e Marc Sousa (Comunicação); Cléver Almeida, assessor da presidência do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc); deputados federais, além de lideranças do setor produtivo, como João Arthur Mohr, superintendente da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), como representante do G7 – fórum que reúne as principais entidades representativas do setor produtivo do Estado – e do Movimento Pró Paraná.
Na audiência pública, o prefeito Eduardo Pimentel pode defender a demanda de Curitiba, aproveitando a janela de oportunidade para solicitar à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) a inclusão do contorno ferroviário e dos ramais Leste e Oeste dentro da próxima concessão.
“Curitiba tem um Estudo de Viabilidade Técnica Ambiental que já demonstra os ganhos com a retirada do trem de carga do meio da cidade. E um estudo do Ippuc também indica o planejamento da reestruturação urbana nas áreas remanescentes dos trilhos no futuro”, explicou o prefeito.
Entrave urbano
A ferrovia de carga que atravessa Curitiba representa um dos maiores entraves à mobilidade urbana, à segurança viária e ao desenvolvimento da cidade. Atualmente, os 40,7 quilômetros de trilhos cortam 21 bairros, dividem comunidades, interferem diretamente no funcionamento do transporte coletivo e impactam a rotina de aproximadamente 467 mil moradores.
Ao longo do trecho urbano existem 51 passagens em nível, que interrompem o sistema viário e provocam congestionamentos, atrasos no transporte coletivo e conflitos permanentes entre o trem e o trânsito da cidade. A ferrovia também cruza dois importantes eixos estruturais do BRT, comprometendo a eficiência de um sistema utilizado diariamente por cerca de 237 mil passageiros.
Além dos impactos sobre a mobilidade, Curitiba concentra o maior número de acidentes ferroviários do país. Dados da ANTT mostram que, entre 2005 e 2025, foram registradas 433 ocorrências na ferrovia operada pela concessionária Rumo Malha Sul, número muito superior ao da segunda cidade brasileira com mais ocorrências, que é a cidade de Juiz de Fora (MG), com 247. Somente entre 2021 e 2024, foram contabilizados 152 acidentes, com mais de 60 pessoas feridas e 27 mortes.
Ministro ouve demanda
Na reunião após a audiência, o ministro George Santoro recebeu a demanda da comitiva e pode avaliar os benefícios da inclusão do novo contorno ferroviário e os ramais Leste e Oeste nos editais da concessão da Malha Sul. A obra produzirá ganhos expressivos para Curitiba, para a Região Metropolitana e para a logística nacional.
Entre os principais benefícios estão o fim dos conflitos entre o trem, o BRT e os cruzamentos em nível; a integração de bairros atualmente divididos pela ferrovia; a criação de novas conexões viárias, corredores de transporte coletivo, parques lineares, ciclovias e áreas verdes; a possibilidade de novos projetos habitacionais e equipamentos públicos nas áreas hoje ocupadas pela infraestrutura ferroviária; além do aumento da capacidade operacional da ferrovia e do fortalecimento da ligação logística com o Porto de Paranaguá e com as cadeias exportadoras do Paraná.
Até o final de agosto, a ANTT deve realizar novas audiências públicas para aprimorar a modelagem da concessão dos corredores ferroviários Mercosul, Rio Grande e Paraná–Santa Catarina, com a participação da sociedade, do setor produtivo, de operadores ferroviários, especialistas e demais interessados. (Secom; Foto: Pedro Ribas/Secom).
