Na eleição para governador de 2006, o candidato à reeleição, Roberto Requião, concorreu contra o então senador Osmar Dias. O resultado ficou famoso pela diferença de ínfimos 10 mil votos – 0,2% do universo de eleitores paranaenses daquele ano. O exame dos números mostrou que a vantagem que levou Requião a derrotar Osmar estava localizada nos pequenos municípios, os ditos “grotões” do estado; Osmar ganhou em todos os grandes e médios municípios.
Na eleição de 2010, Requião concorreu a uma das duas cadeiras ao Senado que estavam em disputa. Uma foi logo ocupada por Gleisi Hoffmann. A outra foi conquistada palmo a palmo por Requião, que superou seu adversário direto, Gustavo Fruet, por uma diferença de 2%, pouco mais de 100 mil votos entre os 6 milhões que votaram.
De novo, o mesmo fenômeno: Requião foi eleito pelos “grotões”; Gustavo o derrotou na maioria dos médios e grandes municípios.
Em 2010, Requião (MDB) fazia “dobrada” com Osmar (PDT). Requião ganhou, Osmar perdeu.
Em 2014, Requião quis enfrentar Beto Richa, que concorria à reeleição para governador. Requião perdeu feio – fez 28% dos votos, contra 56% de Richa, que liquidou a fatura já no primeiro turno. Com um pormenor: nos menores municípios, Requião fez 38% dos votos e Richa, 26%. Isto é, Requião manteve bom desempenho no interiorzão, mas foi derrotado por Beto pelas votações expressivas que recebeu em Curitiba, Londrina, Ponta Grossa, Maringá e outras grandes cidades.
Agora, 12 anos depois do quase-empate de 2006, e oito anos após a “dobrada” com Osmar Dias em 2010, Requião quer se reeleger senador e se oferece outra vez para fazer companhia a Osmar Dias.
Como são duas vagas, os analistas consideram que uma delas certamente já está assegurada para Requião. A outra, possivelmente, para Beto Richa, apesar do desgaste provocado pelas inúmeras denúncias de corrupção em seu governo. Beto leva a vantagem de ser mais conhecido do que os outros 12 candidatos e ainda possuir o controle de parte da máquina política que montou ao longo dos últimos oito anos.
Requião tem sido pressionado a não concorrer isolado, “solteiro”. Deputados estaduais e federais do MDB temem que ele, sozinho, não “puxe” os votos necessários para suas reeleições. E que nem mesmo o partido consiga formar uma chapa completa de candidatos à Assembleia e à Câmara Federal. Daí o esforço que o senador e os emedebistas fazem para que o partido faça aliança com o PDT de Osmar Dias e que Requião concorra outra vez em “dobradinha” com o pedetista.
Oferecem uma vantagem: a força de Requião nas pequenas cidades serviria como um anteparo útil para Osmar Dias contra os adversários Ratinho Jr. e Cida Borghetti, que se esmeram na tarefa de seduzir prefeitos e vereadores dos menores colégios eleitorais. Por outro lado, Requião – se se comportar bem – pode usufruir do prestígio que Osmar detém nas cidades maiores e junto ao segmento ruralista.
Aparentemente, seria uma “dobradinha” perfeita, não fossem as dúvidas quanto ao eventual malefício que o intrépido senador por causar a Osmar – assim como aconteceu na eleição de 2010. Com um adendo: aliança com Requião é rompimento inevitável com o irmão presidenciável Alvaro Dias (Podemos).

Bom dia. Poderiam informar os elitores qual o motivo de terem excluído uma matéria do blog de vcs?