(Atualização às 18h)
Morreu esta manhã em Curitiba o coronel Elizeu Furquim, fundador e presidente por um quarto de século da Amai (Associação de Defesa dos Policiais Militares Ativos, Inativos e Pensionistas do Paraná), à frente da qual liderou inúmeras campanhas em defesa dos policiais militares do estado.
Furquim contava 80 anos e lutava contra um câncer e contra os efeitos de um AVC – o que não o impediu de continuar à frente da entidade por vários anos. Ele deixou a direção da Amai no ano passado. O coronel exerceu dois mandatos (1991-1992 e 1995-1996), assumindo o cargo como suplente nas duas vezes. Trabalhou ativamente por toda a população e também para garantir direitos à categoria dos militares estaduais no município, como a gratuidade nos ônibus para policiais e bombeiros militares fardados.
Nascido em Siqueira Campos (PR) em 1939 e formado pela Faculdade de Direito de Curitiba, Elizeu Furquim era coronel da Polícia Militar do Paraná, tendo ingressado na corporação em 1956.
Presidiu durante quase 25 anos a Associação de Defesa dos Policiais Militares Ativos, Inativos e Pensionistas do Paraná (Amai). Também foi comandante do Batalhão da Polícia Rodoviária entre 1983 e 1985, foi superintendente da Superintendência Nacional do Abastecimento no Paraná (Sunab-PR), diretor da Prisão Provisória de Curitiba (Ahú) e do Departamento Penitenciário do Estado do Paraná, comandante do Policiamento da Capital, entre outras atribuições.
Por seu trabalho na área da segurança pública, o coronel Elizeu Furquim foi reconhecido com diversas homenagens e condecorações, entre elas a Ordem Estadual do Pinheiro, maior honraria do estado do Paraná. Elizeu Furquim deixa dois filhos, entre eles a desembargadora Themis de Almeida Furquim, e quatro netos.
ATUALIZAÇÃO: Seu corpo será velado na Capela da Vaticano a partir das 16h, somente com a participação da família e será cremado no Crematório Vaticano às 19h.

Grande amigo de meu falecido pai, inclusive toda vez que eu ia na AMAI, ele fazia questão de dizer que foi meu pai que o colocou na polícia. Perde-se mais um grande homem, que arduamente lutou pelos direitos dos militares. Como sempre digo Deus sempre quer os melhores por perto… Triste mais é uma certeza que todos que estão vivos…
Coronel Furquim, um grande amigo que Deus levou!!!!
Pessoa com quem aprendi a dar valor as liberdades individuais, que durante muito tempo foram negadas aos militares estaduais.
Lutas memoráveis, como a defesa incondicional das polícias e corpos de bombeiros militares contra extinção e unificação, ao longo de décadas.
Destaque para as reformas de 1998, que através da emenda 18 definiu o nosso regime jurídico. O Cel Furquim, ao lado de tantos outros, em especial do saudoso Cel Sa Ribas, teve importante papel em nível nacional.
Comecei a lutar ao seu lado ainda como presidente da ala jovem do clube dos oficiais, quando ainda era cadete. Até peguei uma “cadeia” em seu lugar. Certo comandante, seu desafeto (não tinha desafetos rs), me puniu “por não cumprir as funções de chefe da ala jovem”.
A fundação da AMAI e sua consolidação certamente sua maior obra e também legado.
A AMAI surgiu por orientação de um amigo dele, desembargador a época. Não tínhamos nenhuma entidade com capacidade para exercer a representação nossa, especialmente em ações judiciais coletivas. Tínhamos tentado pelo clube, mas não era o melhor caminho.
Tivemos duas campanhas memoráveis, lado a lado, com tantos outros companheiros: a pec 300 em Brasília e a pec 64, do nosso subsídio no PR.
Incansável na luta, não importava contra quem, para defender nossos direitos, especialmente dos mais vulneráveis. Quantos embates travados. Abriu muitos caminhos para todos nós. Com ele aprendemos que também temos direitos e que custe o que custar devem ser buscados. Aprendemos a não ter medo de ingressar na justiça, não importando contra que autoridade.
Muitas vezes incompreendido. Nunca aceitou menos do que seria de direito. Nunca viu o alinhamento, ou a submissão como caminho. Sempre contestou o sistema como forma de evolução, muitas vezes de forma dura e contundente.
Enfim, neste momento em que marca sua passagem, nosso profundo e mais límpido sentimento. Que sua família possa receber o conforto de Deus.
Seu exemplo de vida a serviço da coletividade servirá de inspiração a muitas gerações de milicianos.
Esperamos em breve, assim que este período de pandemia cessar, que possamos lhe prestar as homenagens devidas.
Um forte abraço a todos.
Cel Elio