(por Ruth Bolognese) – Muita gente torce o nariz e fica repetindo “que absurdo”, mas a presença do ex-presidente Lula, defendida pelos petistas nos debates presidenciais, seria garantia de audiência ilimitada.
Os que acreditam que Lula, apesar de preso, ainda pode ser candidato, revoltaram-se com a decisão da Folha de S.Paulo e SBT de chamar para sabatinas os seis primeiros colocados nas pequisas, mas tiraram o nome dele das listas em que ainda figura em primeiro lugar. Como gritar é uma das especialidades do partido, o PT queria vaga para a participação de pelo menos um representante da candidatura de Luiz Inácio. Melhor ainda se fosse o próprio
A eliminação do nome do ex-presidente abriu chance para que o senador paranaense Alvaro Dias (Podemos) fosse chamado. Até já foi sabatinado no início da semana. Ele estaria em 7.º lugar e fora do debate se não fosse a eliminação de Lula.
Nos demais debates que vierem a acontecer e sem Lula, leitores e telespectadores deverão se contentar com os temas sem surpresas de Marina Silva e a defesa do meio ambiente, Geraldo Alckmin e o metrô, Ciro Gomes e seus arroubos nervosos, Jair Bolsonaro e a pena de morte e Alvaro Dias e o combate à corrupção.
Com a presença de Lula, se pudesse participar diretamente de uma cela da Polícia Federal, tudo mudaria e audiência seria fantástica: o Brasil inteiro estará na expectativa se ele usará ou não tornozeleira, se ficou mais magro e menos socialista depois da cadeia, se vai cochichar com a Gleisi Hoffmann nos intervalos ou se poderá dar tchauzinho pros companheiros que ficaram em casa, quer dizer, nas celas e por aí vai…
E quem será o primeiro adversário a levantar a questão de ordem: “como devo chamá-lo, candidato, de ex-presidente ou apenado?”
Imaginem só a audiência do evento?
