A jornalista e escritora Míriam Leitão foi eleita nesta quarta-feira (30) para a Cadeira 7 da Academia Brasileira de Letras (ABL), na sucessão do cineasta Cacá Diegues, morto em fevereiro deste ano. Ela foi escolhida por 20 de 34 votos possíveis. O economista e ex-ministro da Educação do Brasil Cristovam Buarque recebeu 14 votos. Foi a 12ª mulher a ser eleita, a quinta em seu quadro atual de Acadêmicos.
Além de uma vasta carreira como jornalista, Míriam possui 16 livros publicados de diversos gêneros literários: não ficção, crônica, romance e livros infantis.
Na disputa da vaga, estavam inscritos: Cristovam Buarque, Tom Farias, Ruy da Penha Lôbo, Antônio Hélio da Silva, Rodrigo Cabrera Gonzales, Daniel Henrique Pereira, Angelos D’Arachosia, José Gildo Pereira Borges, Tamara Ribeiro de Oliveira, Martinho Ramalho de Melo, Chislene de Carvalho, Edir Meirelles, Claudenilson Fernandes de Jesus, Ivan Luís Vieira Piffer e Marcia Camargos.
Ampliação
O presidente da ABL, Merval Pereira, disse que Miriam Leitão tem todas as qualificações para estar na ABL e vai ser útil para nós porque é muito ativa nas suas ações e tem um espectro muito amplo de interesses – causa indígena, dos negros, e aqui estamos na mesma sintonia. “Acho que será muito bom. Além disso, é feminina e feminista. Estamos precisando aumentar nossa representação feminina e Miriam vem em boa hora. Estamos ampliando nossa atuação em vários campos e Miriam vai ser muito útil. Esta eleição foi excelente, porque tivemos dois candidatos muito bons, especialmente Cristovam Buarque, que teve uma excelente votação também. Foi muito bom para a Academia.”
O Acadêmico Ruy Castro comemorou a eleição de Miriam Leitão: “Esta é uma Academia de Letras e Miriam Leitão é uma praticamente de letras, profissional da palavra e na sua condição de colunista de jornal importante, ela é uma militante da palavra em ação, que é uma coisa que precisamos muito na Academia.”
Tortura
Nascida em Caratinga, Minas Gerais, Míriam dedicou mais de cinco décadas a analisar o país em algumas de suas áreas mais decisivas, da economia à política, passando pela floresta. Ela acompanhou de perto planos econômicos, crises sucessivas, o impeachment de Collor e Dilma, e a redemocratização.
Filha de educadores, Míriam iniciou sua trajetória profissional na imprensa capixaba. Passou por Brasília e São Paulo antes de se estabelecer no Rio de Janeiro, em 1986. Ao longo de 53 anos de carreira, trabalhou em veículos como Gazeta Mercantil e Jornal do Brasil, e desde 1991 integra o Grupo Globo.
Presa e torturada aos 19 anos durante a ditadura militar, a jornalista tem sido uma voz consistente em defesa da democracia e da liberdade de expressão — uma postura que lhe rendeu, no ano passado, o Troféu Juca Pato de 2024, concedido pela União Brasileira de Escritores (UBE) ao intelectual do ano. (Da ABL e de O Globo; Foto: reprodução).
