O escritor e jornalista curitibano Luís Henrique Pellanda organizou e selecionou 150 crônicas do poeta, cronista e contista Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) publicadas de 1954 a 1969 no extinto jornal carioca Correio da Manhã. As crônicas selecionadas estão reunidas no livro “A intensa palavra: crônicas inéditas do Correio da Manhã, 1954-1969”, da editora Record, que já está nas livrarias.
A obra funciona como uma lente que amplia nossa compreensão acerca do tempo e do cotidiano, refletindo a visão de Drummond sobre o século XX. Pellanda observa, no texto de apresentação à edição, que o cronista é, em essência, um cortejador de acasos, e que, apesar de o período em que foram escritas estar claramente marcado nas crônicas, Drummond, mesmo à distância no tempo, consegue captar e transmitir nelas problemas e vivências universais e ainda atuais, aproximando-se dos leitores que estão sempre buscando alguma confluência entre o que leem e o que vivenciam no seu dia a dia. E é justamente nesse terreno fértil e movediço, no qual as coincidências se multiplicam com o avanço das décadas e a evolução da mentalidade de leitores cada vez mais diversos, que uma crônica escrita no Brasil, há setenta anos, pode ganhar novos sentidos.
Luís Henrique Pellanda nasceu em Curitiba, em 1973. Formado em Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), trabalhou nos jornais Gazeta do Povo e Primeira Hora e foi subeditor e colunista do jornal literário Rascunho. Entre seus livros de contos e crônicas estão: Na barriga do lobo (2021) e Nós passaremos em branco (2011), finalistas do Prêmio Jabuti; Asa de sereia (2013), finalista do Prêmio Portugal Telecom; e O caçador chegou tarde (2023).
