A edição semanal impressa da Gazeta do Povo deste três de fevereiro de 2018 contém duas marcas: é a data em que o jornal completa 99 anos de fundação e em que comunica que seu mais antigo jornalista em atividade deixa seus quadros. Neste último caso, trata-se de mim, Celso Nascimento, editor deste Contraponto, que há 52 anos rondava por lá, tempo que ultrapassa a metade da vida do jornal e dois terços da minha.

Foi um rio que passou em minha vida. Não sujei as águas em que nadei. Fiz a travessia, desde “foca” estagiário a partir de 1966 – mesmo ano em que peguei o diploma de Jornalismo na UFPR – a repórter, Chefe de Reportagem, Chefe de Redação, editorialista e, por fim, colunista político. Passei também por outros veículos do grupo, como o Diário da Tarde e a TV Paranaense Canal 12, dos quais fui respectivamente editor e Chefe de Reportagem por largos e bons períodos.
Fiz parte dos tempos gloriosos da Gazeta do Povo em que era dirigida por seu maior publisher, o saudoso dr. Francisco Cunha Pereira Filho. Aos domingos, 200 mil exemplares de 300 páginas chegavam às bancas para se esgotarem em poucas horas. Quinto maior diário do país, a Gazeta não era simplesmente um jornal, era uma instituição paranaense.
Foram tempos de aprendizado, de acúmulo de experiência e de exercício profissional que me exigiram bravura, coragem e, claro, também submissão à linha editorial definida por meus superiores, nunca, porém, me afastando das lições que aprendi em casa – honestidade, sinceridade, senso de justiça. Qualidades que, nascidas do convívio e no exemplo familiar, procurei empregá-las na vida profissional, o que exigiu de mim sobretudo doses cavalares de ousadia e de desapego a vantagens, bens materiais, vanglória.
O fim da carreira na Gazeta do Povo, é evidente, não me alegra, especialmente pelo fato de que não fui eu que o determinei, mas sim forças que para mim me soam ainda incompreensíveis. O que não significa mágoa nem motivo para depressão. Pelo contrário, apenas o sentimento de missão (bem) cumprida e inspiração para enfrentar novos desafios.
Continuo jornalista como sempre fui, agora exclusivamente neste Contraponto – espaço que com muito orgulho divido com o brilhantismo invejável da colega Ruth Bolognese.
Tocaremos o nosso barco, com o mesmo destemor, independência, descompromisso com governos, grupos políticos ou econômicos, atributos que marcaram nossas vidas de remadores contra a corrente. E com a esperança de podermos contar com o respeito, com a admiração, com as críticas e mesmo – por que não? – com o desgosto que possam nos devotar os cada vez mais numerosos seguidores deste Contraponto.

É uma pena que eu não tenha o dom da redação. Se o tivesse, escreveria infinitas linhas sobre sobre o caráter e personalidade desse ser exemplar chamado Celso Nascimento. O Contraponto por certo, continuará compondo o equilíbrio necessário ao bom jornalismo que merecemos. O maestro é muito bom.
Celso foi meu Chefe de Reportagem na TV Paranaense, um líder ético e competente, guardo apenas boas lembranças das conversas e orientações. Depois, eu já vivendo em Brasilia, sua coluna na Gazeta tornou-se leitura obrigatória para acompanhar a política paranaense – e entende-la um pouco melhor também. Se não está mais na Gazeta, azar dela. Vou continuar acompanhando pelo Contraponto.
Quando você lançou o Contraponto eu já imaginei que sua saída do ex jornal era questão de tempo. A Gazeta se apequenou, faltou ousadia, como disse a Ruth. Os jornais impressos estão definhando no mundo inteiro, é verdade, mas a Gazeta exagerou no erro ao lançar aquela revista(?) semanal de formato ruim e quase sem bons colunistas. Para a Gazeta fechar de vez agora é só questão de tempo tambem, mas tenho a certeza de que enquanto você puder, vai continuar produzindo bom jornalismo. Bola pra frente e sucesso!
Celso Nascimento foi o chefe mais correto e humano que tive entre os anos 1980 e 1990 na RPC. E o nosso professor de jornalismo na redação. Foi também uma grande surpresa positiva na função de colunista político da Gazeta do Povo. Quem tem todo este conhecimento, honestidade e coragem, vai saber fazer do seu próprio site http://www.contraponto.jor.br um sucesso ainda maior, e a principal fonte de informação política do Paraná.
Conte com os seus muitos amigos Celso!
Prezado Celso! Sua carreira como jornalista é um exemplo para os jovens que se dedicam ao jornalismo, as comunicações via mídias modernas, mas , uma coisa não mudará nunca, é a verdade, a transparência e a credibilidade da informação , neste caso sua vida profissional deve ser ensinada nas escolas .
Jornalismo político para quem transmite a informação mexe com a vaidade, a arrogância , a prepotência de pseudo autoridades políticas que se julgam eternas no poder que é algo na verdade efêmero , que só admitem elogios perpetrados por legítimas ” vaquinhas de presépio”, no seu caso ao longo de sua brilhante carreira vc passou longe disso tudo e se honestidade, moralidade, transparência na informação custa caro, vc sempre pagou o preço é merece o respeito de todos nós.
Quanto a aposentadoria que foi imposta ou quiça vendida a politicagem barata que assola o nosso Paraná, quando o povo se sente envergonhado de seus representantes o seu renascimento como editor do contraponto nas mídias sociais demonstra que não importa a violência contra o nobre jornalista, ” Dom Quixote das letras” , a sua pena verdadeira é implacável sobrevive em seu ” blog” como a lâmina que corta fundo o mau caratismo dos poderosos de plantão.
Sucesso como sempre, o recomeço é sempre um sonho alcançável pelos justos, honestos e corajosos jornalistas tal como você . Continue nessa luta, ela é sem fim, mas vale a pena cada dia..
Amigo Celso, aos amigos que se despendem de empresas, casamentos, parcerias, etc, – aconselho ler o poema do Fernando Pessoa – “Encerrando ciclos” – toda despedida e, de fato, melancolica, mas e um ciclo que se encerra. Este poema nos traz grande alivio.
Celso, você fez história! Fechou-se uma janela da sua vida e portas hão de se abrir para o grande jornalista paranaense. Abraço.
Eu diria que o seu Contraponto tem mais acessos que o site (ruim em vários sentidos) da Gazeta. E isso causa inveja e ranger de dentes! Sucesso!
A centenária Gazeta do Povo já estava morta havia algum tempo. Com a despedida de Celso Nascimento, fecha-se a tampa da urna mortuária. O enterro será quando sair o José Carlos Fernandes. Aquele tabloizeco dos sábados, sem forma e sem conteúdo, é uma vergonha para a imprensa paranaense e para os 100 anos de uma publicação que já foi uma das maiores e mais respeitadas do Brasil. Mescla a superficialidade e o idiotismo editorial com artigos pesadões e de muito pouco interesse. O destaque fica por conta dos anúncios de página inteira, sempre dos mesmos clientes e nenhum resultado. Como jornalista, sem diploma, mas com mais de 50 anos de convívio com as letrinhas e imenso amor ao papel impresso, ao cheiro da tinta de impressão, à melodia das rotativas em ação, às notícias e às opiniões de quem tem o que dizer e sabe o que diz, lamento profundamente.
Meu querido Celso, os tempos podem ser outros, cada vez piores, mas você continua e continuará sendo o mesmo, cada vez melhor. Receba o meu abraço.
Celso, que pena. O maior prazer que eu tinha era sentar para tomar café da manhã e ler a sua coluna na “Gazeta do Povo”.
Foi uma grande perda na minha vida o fim inexplicável desse jornal.
Sempre fui sua fã, você sabe disso.
Conte comigo sempre. Tudo do melhor para você e para a Regina. Um grande abraço.
Parabéns pela carreira e pelo visto mais parabéns ainda por não ter sido voce o solicitante do afastamento. Sair da RPC na verdade é um renascimento e pelo que tenho lido por ai, ha mais vida hoje fora dos grandes grupos de midia que na midia familioar pré-falimentar.
Logo encerrar a carreira de emprego formal desta forma é uma medalha a ser colocada com muito orgulho no peito.
E entendi direitinho o que voce quis dizer quando fala da “exercício profissional que me exigiram bravura, coragem e, claro, submissão, à linha editorial definida por meus superiores, nunca, porém, me afastando das lições que aprendi em casa – honestidade, sinceridade, senso de justiça.”
Quem parece que não entende isso nem aceita devem ser aqueles la de cima que compram as assinaturas e pagam os anuncios.
Celsinho, querido,
Espero que você passe por isso com seu proverbial garbo e, principalmente, com a certeza de que o Contraponto foi a coisa mais importante que aconteceu na imprensa paranaense nas últimas décadas, como bem lembrou um “seguidor” (isso soa meio messiânico, não é?) outro dia! Eu, que desconheço limites, diria que desde sempre.
Saúde, coragem e sorte!!
Da seguidora e neófila,
Se caráter custa caro, pague o preço!