Eles se desconectaram

(por Ruth Bolognese)  – Foi na missa das 10 de domingo, aqui em Paraíso, que me ocorreu uma ideia clichê, mas tão clichê, que pode até ser verdadeira. Na hora da comunhão, passou uma senhorinha no corredor da igreja com um conjunto de saia e blusa de tecido bem fino, desbotado de tão lavado, os sapatos de segunda mão, o cabelo preso por dois ou três grampos. E tudo nela era pobre, simples, tão sem graça e sem brilho, que me deu vontade de chorar.

Aí me ocorreu que nesse país de tantos desalentos, os políticos, todos eles, se esqueceram da senhorinha de Paraíso e de todas as senhorinhas brasileiras. Desconectaram a gente e foram tratar da própria vida. Montaram seus gabinetes, se cercaram de assessores prontos a servir-lhes elogios, estratégias de comunicação e lanches da tarde e nunca mais olharam pela janela.

E pode ser clichê, sim, mas para tocar o coração da gente de novo os políticos vão ter que, antes, conversar com Deus. E, para isso, terão que rebolar bonito, calçar as sandálias do arrependimento e começar tudo de novo. Com sinceridade tanta e verdade suficiente para nos encarar olho no olho. Como? Sabe Deus!

Discurso de “sou mais honesto do que o Sarney” vai virar piada, “criar emprego é comigo mesmo” nem se fala, “a economia do Paraná vai crescer” é remédio pra eleitor dormir.

Mas, por enquanto, estão todos empenhados ou em sair da cadeia ou não ir pra cadeia. E aí a senhorinha da missa das 10 de Paraíso do Norte vai pras cucuias.

 

1 COMENTÁRIO

  1. Pois é, minha Serpente: Mas é justamente a senhorinha da missa das 10 ai da igreja de Paraíso, a escolhida pelos seus descritos ocupantes de confortáveis gabinetes para ganhar um par de sandálias novas e de quem partirá o voto para a permanência nos folguedos proporcionados pelo mandato enriquecido pelo foro privilegiado.

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